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Lixo no lixo é um luxo
Por: Jussara Lautenschläger – jussara@diariopopular.com.br

É sempre assim. Basta uma grande precipitação para que as ruas de Pelotas fiquem alagadas. Mas de quem é a culpa? De muitos ou de ninguém! O Poder Público garante: os canais e as bocas-de-lobo estão limpos, sempre em manutenção. E a população reclama que a cidade está suja. Mas ao caminhar pela ruas do Centro, o que faço com frequência, me deparo com situações inacreditáveis.
Jovens e crianças simplesmente atiram nas calçadas garrafas PET vazias, latas de refrigerante e copos plásticos. Os contêineres instalados pela cidade ou até mesmo as lixeiras são totalmente ignorados. Imagino como será a casa destas pessoas; elas devem deixar restos espalhados pelo chão da sala, do quarto, da cozinha e até do banheiro.
Mesmo com tantas campanhas de esclarecimento e de propagandas na mídia, as pessoas ainda não conseguiram assimilar que lixo deve ser colocado no lixo. Ah! Também devem reciclar. Mas isto é assunto para outra conversa. O que gostaria de saber é como solucionar este problema? Acredito que não será nada fácil. Um desafio para os políticos, às famílias e aos educadores.
Seria necessário obrigar a população a fazer cursos educacionais e colocar setas gigantescas nas ruas, indicando o local onde colocar o lixo? Criar uma disciplina nas escolas e nas universidades para ensinar a todos o que é uma lixeira? O Poder Público deveria colocar na rua agentes de lixo (gostei do termo) para multar quem coloca papel no chão? Não estaríamos longe disto se analisar a maneira como o povo se comporta. Seria inevitável.
Confesso a todos que muitas vezes já perdi a esperança de encontrar crianças - e até pessoas da terceira idade - que não façam o gesto repetitivo de colocar tudo no chão. Já acompanhei o trabalho de diversos governos e todos, sem exceção, em dias de grandes precipitações encontram, próximo às casas de bomba, sofás, pneus, centenas de garrafas PET de todos os tamanhos, sacos plásticos e até colchões. Mas o que fazer diante de um quadro sem solução? Acho que quase nada, afinal, ver o lixo no lixo é um luxo.
Eu faço a minha parte. Ao caminhar pela rua sempre procuro uma lixeira para colocar o papel de uma bala. Se não encontrar, coloco na bolsa. Ao chegar em casa, este papel vai para o local certo: o lixo. Ao sair com meus filhos sei que muito papel terá como destino, mais uma vez, a minha bolsa, afinal, eles já têm consciência da importância que é cuidar do meio ambiente. E você? É um destes que simplesmente atira tudo pela janela do carro, nas calçadas e nas praças ou é um cidadão consciente? Pense antes de largar qualquer objeto na rua.
Foto: Infocenter DP – Paulo Rossi


