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Hare, baba!
Por: Camila Weinmann - camilaw@diariopopular.com.br
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Pegue um casamento, duas gravidez e misture com uma revelação de paternidade. Acrescente pitadas de lágrimas e reencontros de casais a gosto. No final junte todo o elenco em uma festa com show de artista famoso e está pronta a receita de um último capítulo de novela das oito. Não há dúvidas de que os folhetins da Globo caem no gosto popular, mas já faz algum tempo que deixaram de surpreender a audiência. Em Caminho das Índias não foi diferente.
Como estudante de cinema, sou também uma amante da teledramaturgia. Acompanhei tramas envolventes, com excelentes interpretações e finais emocionantes. Além dos atores de primeira linha, a emissora tem os melhores cinegrafistas, diretores, cenógrafos, figurinistas. Tudo impecável. Não fosse a forma de conduzir o enredo, que acaba com a credibilidade da história. Como espectadora, eu não acredito naquilo que vejo na TV.
Ao contrário das minisséries, as novelas em geral começam sem desfecho programado. O roteiro é construído ao longo dos meses, altamente influenciado pela opinião pública. O resultado é uma confusão psicológica nos personagens. Foi o caso de Bahuan, tentativa de protagonista no início da novela, que depois virou vilão, ficou bonzinho de novo e acabou praticamente saindo de cena... Também pudera, a atuação Márcio Garcia deixou tanto a desejar que a rejeição foi imediata.
Na última exibição, algumas falas foram tão previsíveis que eu podia completar as frases: "ele é seu pai", "eu estou grávida", "eles vão se casar" e a derradeira "eu amo você". O que ninguém podia prever era a transformação da Maya, que num piscar de olhos trocou a roupa de mendiga pelas vestes ricas e coloridas de costume, numa metáfora mal sucedida de reencontro com o marido.
Raj voltou e, como num passe de mágica, tudo estava resolvido. No meio dos finais felizes, os estereótipos marcaram presença: o casal mau caráter e seu filho delinquente, a mulher adúltera, a psicopata, o esquizofrênico, todos caricatos. Desde o começo, mas poucos se incomodaram. A maioria estava preocupada em aprender os passos de dança e em comprar enfeites como os da Maya. A Índia simplesmente invadiu o Brasil.
Agora deve ter queda o movimento nas lojas com motivos asiáticos. Aos poucos vamos deixar de ouvir "hare baba" pelas ruas. Bom mesmo seria se parassem de tocar "você não vale nada mas eu gosto de você".
No entanto, preparem-se. Boa parte da nova trama de Manoel Carlos vai se passar no mundo fashion. Em Viver a vida por certo não faltará glamour e outros modismos para virarem febre nacional. Talvez esses custem um pouco mais caro. E mais uma vez a realidade das telinhas será bem diferente do que se passa na imensa maioria do lares brasileiros...


