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Anjos e coincidências
Por: Camila Almeida - camila@diariopopular.com.br

Já não é a primeira vez que tenho conhecimento das coincidências na vida e no trabalho do conhecido Ben Hur Alves da Fonseca. Com a ONG Anjos e Querubins de portas fechadas há três meses, surgiu a ideia de verificar a realidade das crianças e dos jovens que antes passavam parte do dia na sede. O contato foi feito por diversas vezes no celular do fundador e presidente da entidade, sem sucesso. Por fim, a resposta surgiu. Pessoalmente.
Eram quase 18h quando meu telefone tocou dizendo que o Ben Hur estava na recepção do Jornal. Logo imaginei: alguém havia lhe contado que estávamos à procura dele. Não. “Foi mais uma dessas coincidências na minha vida”, respondeu de maneira simples. Veio contar sobre uma apresentação no Theatro Sete de Abril que marcará a volta do projeto com o apoio de empresas e entidades.
A aposta é sustentar os trabalhos com a renda obtida nos espetáculos. Logo, cabe aos espectadores da Anjos e Querubins fazerem a diferença. Como você, por exemplo, que talvez tenha criticado a falta de iniciativa de empresas e órgãos públicos nas vezes em que a ONG precisou parar as atividades e deixar os integrantes ainda mais vulneráveis aos problemas sociais em tempos ociosos.
Cada cadeira ocupada e ingresso pago significam uma oportunidade. Lá no Getúlio Vargas, as crianças têm a esperança de seguir no meio artístico, de ampliar as oficinas da ONG em outras comunidades. Agora, se quem diz acreditar no projeto não ajudar, quem mais poderá? Tive a oportunidade de acompanhar a longa caminhada deles sob o sol de 30ºC até o centro da cidade, para uma apresentação no 2º Festival de Música do Comitê de Organizações, Entidades e Pessoas (Coep) de Pelotas, em outubro do ano passado.
A imagem das crianças caminhando e puxando o carrinho com peças da percussão ficou guardada na memória de muitas pessoas. Na mochila, suco, refrigerante e lanches já quentes para o fim da apresentação, que por pouco não aconteceu. Em mais uma das coincidências, o grupo chegou na hora certa e, sem preparo ou concentração, subiu ao palco. Lá fora, junto ao canalete da Argolo, Ben Hur conversava com as lágrimas.
Quando ele veio ao Jornal contar sobre o retorno e a apresentação no Sete de Abril, elas quiseram participar novamente da conversa. Por várias vezes. E alertou sobre o grau de emotividade, mas talvez não saiba da potencialidade de transmiti-la a quem é testemunha. Eu já comprei meu ingresso.
Foto: InfocenterDP – CarlosQueiroz


