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Um cachorro muito amado
Por: Tânia Cabistany – taniac@diariopopular.com.br

Costumo dizer que quem me escolheu foi ele. Há três anos, num domingo, Dia das Mães, ele me achou. Estava saindo de casa para almoçar com meus filhos e ao abrir a porta do prédio ele veio me saudar. Assim começou uma história de amor na família, que ganhou mais um membro a partir daquele dia. A chegada do Luke, um cãozinho que enche de vida nossa casa, mudou tudo.
O início foi terrível, devo admitir. O filhote demoliu tudo o que pôde, até um rombo num sofá ele fez. Era medonho. Por mais que tentasse fazê-lo entender que o xixi era para ser feito em cima do jornal colocado na área de serviço, não tinha sucesso. Aliás, não tenho até hoje. Volta e meia ele faz onde não deve. Preferencialmente faz de poste o fogão, a geladeira, a máquina de lavar. Depois pede desculpa. Verdade. Quando advertido, faz a cara mais humilde do mundo e vem implorar para ser perdoado. Enquanto não recebe esse suposto perdão não sossega.
Ele nunca chorou à noite e logo pegou o ritmo da família. Se dormimos até mais tarde, ele acompanha. Mas se estamos fazendo uma refeição, ai de nós se ele ficar fora do mesmo ambiente. Precisa participar de tudo. Acho que é hiperativo. Não para nunca. Pula, pula, inclusive nas visitas, o que me envergonha bastante. Por isso preciso prendê-lo. Li o livro Marley e eu, e chorei muito. Depois assisti ao filme e chorei de novo. Não só por gostar muito de cachorro, mas acho que por inconscientemente comparar meu Luke ao Marley. Difícil reconhecer, mas meu cãozinho é uma praga às vezes. Meu irmão que o diga. O cachorro tem uma paixão tamanha por ele que é incapaz de deixar o coitado em paz quando vai lá em casa.
Mas chegar em casa ao final do dia e receber aquela recepção para lá de carinhosa compensa qualquer estrago que tenha feito e que ainda venha a fazer. Não tem preço aquele rebolado de felicidade, rabo balançando, orelhinhas baixas, tudo numa grande demonstração de felicidade porque cheguei. Oferece ossinho, bolinha, coberta e o que puder. Todo o seu “patrimônio” me é entregue quando chego em casa. Esse é o amor incondicional que tanto se fala por aí.
Nunca consegui ficar com raiva dele, mesmo quando destroçou minhas plantas e fez eu recolher tudo que tinha na área de serviço, pois qualquer coisa era transformada em poste. Até máquina de lavar nova tive que comprar. Já briguei muito, mas nunca pensei em ficar sem ele. Aguentei todos os prejuízos porque o sentimento entre nós é mais forte que as artes dele. Não posso chorar, pois ele fica nervoso. Quer secar minhas lágrimas a todo custo. Se não me cuido lambe meu rosto até secar a última. Ah, esqueci de dizer que o Luke é uma vira-latas! Não me importo com isso, pois para mim ele tem a raça do amor.
Foto: Divulgação
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O amor dos animais por nós, os chamados animais racionais, é algo por demais emocionante. Mas a gratidão de um bichinho retirado das ruas e que recebe um lar é algo que não dá pra descrever. Somente aqueles que tem a coragem de um gesto destes é que tem o previlégio de desfrutar de tal sentimento, que é um misto de agradecimento eterno com amor incondicional e total. Parabéns por tua atitude! Que o teu exemplo e o teu belo depoimento sirvam de incentivo a outros seres humanos! Se mais pessoas adotassem um cãozinho abandonado, em vez de comprar, Pelotas não seria essa vergonha que é, em termos de animais abandonados.
Dilva - 16-09-2009 - 09h24min


