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O sufoco do transporte coletivo
Por: Jussara Lautenschläger – jussara@diariopopular.com.br
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O relógio marca 7h30min e minha filha tem que estar na escola, no máximo, às 7h40min. Saímos de casa ligeiro. Ao chegar na esquina, o ônibus está parado no meio da quadra. Passageiros entram no veículo. A alternativa é correr. Mas o motorista simplesmente não espera e ainda faz sinal de que não pode aguardar. Podem ter certeza: isso deixa qualquer um irritado; o próximo ônibus demora de dez a 15 minutos. O atraso é inevitável.
Esperamos, esperamos e esperamos. Chegam mais pessoas. Percebo que também estão atrasadas. Todas olham o relógio e suspiram. Após uma eternidade, o ônibus surge, agora lotado. Os passageiros se espremem para passar no corredor. A nova gripe encontra um ambiente favorável, mas quem se importa com isto?
Ao meio-dia a situação é ainda pior. São de três a quatro veículos, mas antes, e não no horário em que as crianças saem da escola. Quem perder o ônibus das 11h55min pode ter certeza, a espera será por mais de meia hora. Momento terrível, pior ainda em dias de chuva ou de intenso calor. Ao chegar o veículo, além da superlotação, é preciso aguentar adolescentes que gritam, como se estivessem em uma excursão. É possível saber como estão os namorados ou o nome do menino mais bonito da escola. O que eu e os outros passageiros temos a ver com isto? Nada.
De tão cheio, já ocorreram situações em que gritaram para o motorista não pegar mais passageiros. Certa vez, cheguei a contar 45 pessoas em pé no corredor. O mesmo ocorre nos itinerários das 19h.
Situação difícil. Os trabalhadores pagam pelo transporte e esperam qualidade no serviço prestado. Existem motoristas educados, que esperam passageiros e monitoram a lotação. Lembro de um que recebeu muitos elogios porque desviou o veículo da rota para levar um homem que passava mal ao Pronto-Socorro. Outros possuem um cuidado especial com as crianças e os idosos. Mas há também aqueles que necessitam de curso para boas maneiras.
Há igualmente passageiros sem educação. Imaginem: criança com mochila nas costas carregada de livros e cadernos. Ela tem que colocar o dedo no validador e depois tentar atravessar o corredor entupido de pessoas. Sempre há que grite: “Criança mal-educada! Por que não tira a mochila das costas?” Se carregá-la com os braços estendidos para cima, uma única freada pode significar ferimentos. Será que neste momento os que reclamaram vão ajudá-la? Acredito que não.
Assim é o dia-a-dia de quem precisa do transporte coletivo. Infelizmente, um quadro que se repete há anos. E nada é feito para solucionar a superlotação, o número reduzido de veículos e o despreparo de alguns motoristas e cobradores. Fazer o quê? Só resta mesmo esperar o próximo ônibus.
Foto: Infocenter DP - Divulgação


