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O dia pela noite
Por: Camila Weinmann – camilaw@diariopopular.com.br

Corre-corre, conversas para todo lado, dezenas de telefones tocando ao mesmo tempo. Assim é o dia-a-dia em uma redação de jornal. Pelo menos durante o dia, até o fechamento da edição. No começo tinha dificuldade para me concentrar no meio de tanto barulho, mas com o tempo acostuma, a gente passa a ignorar os ruídos. Acontece que nos últimos dois meses a rotina da web me fez conhecer um cenário diferente.
Sempre fui uma pessoa diurna. Inclusive meu trabalho rendia melhor pela manhã. Para escrever, então, nem se fala… E de um dia para o outro tudo mudou. Passei a trabalhar em uma redação solitária. Eu, as páginas finalizadas e uns miados de gatos num silêncio incomum. Depois das 23h só o que se ouve são as máquinas rodando o DP. E se o telefone toca, pode crer, aí vem bomba!
Quando escolhi o Jornalismo já sabia: as notícias não têm hora para surgir. Ainda mais na internet – o site não tem limite de fechamento. Enquanto houver informação, há trabalho. É uma função infinita… Até aí tudo bem, o pior é olhar para o lado e não ter com quem comentar. Ainda mais para uma profissional da comunicação. Se alguém assistir as imagens da câmara de vigilância deve pensar que sou louca. Falo sozinha, dou risada, fico indignada, reclamo para ninguém.
E essa realidade não mudou apenas a minha vida. Em quantas sextas-feiras à noite escutei: “Chega de encontrar notícia a essa hora.” Ou quando à meia-noite e meia a polícia avisa que houve apreensão de 30 quilos de crack, não tem saída. É ligar pro editor-chefe, acordar o fotógrafo, chamar o taxista… E ação! Adrenalina a mil! Depois disso difícil é dormir antes das 3h30min…
Em síntese, para mim a manhã passou de momento inspirador a hora do descanso. Nem pense em falar comigo antes das 11h. Tudo bem que as olheiras já façam parte do meu rosto, adoro esse trabalho, faço com paixão. É cansativo, mas o prazer que há em dar uma notícia em primeira mão, em receber comentários positivos pelo site, não tem explicação!
O DP online certamente não mudou só o cotidiano da redação. Quantos leitores - noturnos, como hoje sou - aproveitam para navegar, enviar sugestões de pauta, fotos e, claro, se informar. Há dois meses uma nova era começou em Pelotas. E vivam os internautas da madrugada!


