Publicidade
PREVISÃO DO TEMPO
  • Sexta

    21/23°C

    15/17°C

  • Sábado

    20/22°C

    16/18°C

Espaço da Redação

Publicidade
08-02-2010 - 09h32min

A vida como ela é

Por Carolina Malhão - carolina@diariopopular.com.br

Às 23h da última quarta-feira (3) a rua Epitácio Pessoa, na Vila Gotuzo, estava tomada de gente. Como a maioria das pessoas eram crianças, a cena dava a impressão de que se tratava até de uma festa infantil. Mas não. Todas esperavam a saída dos corpos de duas vítimas de uma tragédia.

Não tenho filhos. Mas se tivesse, com certeza, não os deixaria presenciar a fase mais sombria dos humanos: os assassinatos. Enquanto torcia para conseguir logo as informações e voltar ao jornal a fim de escrever a matéria, uma menina de aproximadamente dez anos especulava sobre os motivos da morte de mãe e filha. E aguardava o momento em que o Instituto Médico Legal (IML) saísse carregando os cadáveres da senhora de 65 anos e da menina de 12. Na expectativa, ela avisava sempre quando uma fresta era aberta na porta. "Vão sair agora", avisava. Mas ao perceber que era apenas um policial lamentava.

A criança ainda conversava com outra da mesma idade, esta acompanhada pela mãe. As duas trocavam informações para tentar descobrir como havia sido o assassinato. Uma dizia que a menina havia sido estuprada e a amiga que a casa podia ter sido invadida por ladrões. A mãe participava da conversa, mas repreendia as meninas ao perceber a presença de policiais. "Fica quieta guria, têm policiais aqui na volta. Depois vão achar que tu sabe alguma coisa", esbravejava. No final nenhuma das duas estava certa. As investigações da Civil apontam que a mãe matou a filha com o fio de um carregador de celular e depois tirou a própria vida.

Por trás do cordão de isolamento colocado pela Brigada Militar (BM), as meninas, outras crianças e adultos continuavam a especular e a esperar a saída dos corpos. Quando as vítimas finalmente saíram, deitadas em camas e tapadas por cobertores, todos os curiosos se apertaram próximo ao caminhão do IML. Mas depois que os peritos fecharam as portas a população sumiu. Ou seja, só estavam ali na tentativa de ver como estavam as vítimas.

A especulação no entorno de mortes violentas está longe de ser exclusividade da vila Gotuzzo. Onde há tragédia, há aglomeração. A curiosidade é normal, até mesmo a mórbida. Mas expor crianças desde cedo à violência parece extrapolar o bom senso. Além disso, muitas vezes, por saberem da violência, os adultos conseguem se prevenir e escapam de serem as próximas vítimas. No entanto, as crianças devem ser protegidas pelos pais, tanto da violência quanto de saberem das brutalidades cometidas por outros adultos.

 

SOBRE O BLOG
Equipe Diário Popular

Neste blog você poderá conhecer um pouco mais sobre o que pensam as pessoas que fazem o jornal que chega todos os dias aos leitores da Zona Sul. A opinião da equipe do DP sobre temas da região, cotidiano da Redação e da vida de cada um ganham espaço também na web. Confira!

HISTÓRICO
CAPA
Publicidade
comparte

» Espaço da Redação

Seu comentário foi enviado e está sujeito a moderação.
Agradecemos sua participação.

VOLTAR

Enviar comentário

* Campos destacados de preenchimento obrigatório!

máximo 500 caracteres
termo de uso.