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A busca pela casa própria
Por: Anna Fernandes - anna@diariopopular.com.br
Recebi alguns telefonemas nestes dias de calor exagerado questionando sobre o valor do aluguel do prédio número 207 da rua 15 de Novembro a ser pago pela Câmara de Vereadores. Não sou corretora de imóveis. Portanto, não sei dizer se R$ 29 mil é muito. A Comissão de Avaliação de Bens Imóveis (Cabi) da prefeitura já analisou as instalações, que ainda não estão finalizadas, e a proposta do proprietário estaria de acordo.
Já estive algumas vezes no casarão e no prédio novo que faz fronteira com a rua Andrade Neves. Para quem não sabe o terreno é edificado na largura de uma quadra, com duas entradas. A parte antiga deverá abrigar os gabinetes dos parlamentares e seus assessores, além das salas do Jurídico e dos servidores ligados à Presidência. Todos os ambientes serão climatizados, o que deve ter exigido um bom investimento.
A parte nova, um miniprédio com diversas salas e o estacionamento transformado em plenário, servirá ao setor administrativo, ao plenarinho e, talvez, à cafeteria - esta ainda a ter o espaço licitado. Tudo, novamente, com climatizadores de ar comprados pelo proprietário. Não posso esquecer ou o presidente da Casa vai para tribuna chiar: a adaptação das vagas de carros correu às custas do dono da propriedade.
Vinte e nove mil reais. Das atuais instalações ocupadas pelo Legislativo à futura sede será um salto de R$ 21 mil. Um absurdo, dizem alguns! No entanto, quem transita por aqueles corredores vê paredes mofadas, instalações elétricas improvisadas, sinais de cupins e, quando chove, a sala da presidência se transforma em uma cachoeira. Obviamente que aquele casarão da Marechal Deodoro não foi ocupado neste estado de pré-abandono. Falta de manutenção e - como gostam de falar alguns vereadores em conversas reservadas - os isopores com alfinetes contribuíram para o atual estado de conservação. Porém, questiono se valeria a pena reformar um imóvel alugado. É mais fácil pegar algo recém-restaurado, mais amplo e, apesar da idade, mais moderno. Só não podem colar novos isopores!
Contudo, o melhor mesmo é investir na sede própria. Com a liberação do aluguel antecipado do Banco do Brasil, atingindo R$ 1,8 milhão, a restauração pode estar mais próxima. Mesmo que o recurso seja utilizado pelo Executivo como contrapartida para habilitar ao recebimento de verbas do governo federal, os vereadores podem negociar o início da reforma do prédio situado no entorno da praça Coronel Pedro Osório. Sem contar que os R$ 348 mil a serem gastos anualmente também poderiam ser destinados ao sonho da casa (do povo) própria, afinal, eu não gostaria de pagar aluguel. E você, contribuinte?


