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25-01-2010 - 15h23min

É fogo sustentar marginal

Por: Débora Borba - deboraborba@diariopopular.com.br

Cresci ouvindo dizer que para ter carro era preciso ter dinheiro para custear o combustível, o pneu, um possível conserto, pagar o pedágio e o guardador, bancar o seguro privado e o obrigatório, o IPVA... Mas não é só isso. É preciso ter estômago. Sim, para sustentar marginal e se conformar com isso.

Na última sexta-feira, depois de varar o dia trabalhando para, honestamente, receber meu salário, me deparo com o vidro do carro estourado. Meu rádio se foi. A troca do vidro, que não estava prevista, agora foi para a imensa lista de contas a pagar. Além dele, na lista também foi incluída mais uma vaga na garagem próxima ao Jornal.

Com aquela sensação de impotência e pronunciando algumas palavras impublicáveis, cheguei em casa. Lá pelas tantas só ouço minha mãe comentar com minha avó um agradecimento a Deus, por nada de mal ter ocorrido comigo. Nossa... aí deu. Foi a gota que faltava para transbordar.

Claro que sou grata por ter saúde, uma família maravilhosa, um trabalho - que agora também vai ajudar a custear o tal do vidro - mas não, não dá mais para agradecermos a algo que não está certo!

Não é possível abdicarmos de uma folga ou de umas horas a mais com a família e amigos para trabalharmos mais um pouco, para arranjarmos mais um bico para que possamos no final do mês pagar as contas e, quem sabe, tentar adquirir um algo mais.

Não podemos simplesmente ficar custeando a malandragem dos outros e nos conformarmos que o roubo faz parte da sociedade consumista e que o furto é algo normal.

Estou cansada dessa “contribuição espontânea”. Não quero mais sustentar o vício de ninguém. Se a segurança para os governos está apenas no papel lido durante os discursos em campanhas políticas, nós podemos ao menos fazer a nossa parte. Desconfiar de produtos muito baratos, vendidos na porta de nossas casas e sem nota fiscal. A lógica é simples - sem comprador, sem roubo. A propósito, alguém quer comprar a parte frontal de um rádio automotivo? É praticamente novo. É de barbada, mas com nota fiscal.

Foto: Marcus Maciel
 

+ COMENTÁRIOS (1) comentário
  • Você está totalmente certa. Até quando vamos ter que pagar todas falcatruas que os nossos governantes e todos aqueles em quem votamos muitas vezes, achando que é honesto, que vai nos representar bem no nosso país. Chega gente, precisamos dar um basta nisto tudo. De não podermos mais sair a passear pelas ruas apé , como fazíamos quando eu ainda era criança.Tá demais, alguém precisa fazer alguma coisa, para melhorar nossa cidade e nosso país. Dez pra ti. Um beijão. Sonia

    Sonia Maria - 30-01-2010 - 10h26min
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