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20-01-2010 - 08h16min

A arte de fazer as coisas sozinho

Por: Osiris Reis – osiris@diariopopular.com.br

Adoro cinema. Toda vez que posso, marco presença entre as cadeiras vermelhas daquela grande sala escura envolta por uma essência mística, capaz de me teletransportar ao lugar em que o filme me levar. Chego sempre atrasado. Compro com pressa, mas religiosamente, minhas balinhas azedinhas, uma caixinha de pipoca e um refrigerante e saio voando em direção à sala. Atitude que chega às vezes até parecer uma pitadinha de charme, não fosse por um pequeno, mas importante detalhe: a caixinha de pipocas é a menor de todas; estou sozinho.

Passei do tempo em que deixava de fazer as coisas por falta de companhia. Hoje em dia, tomar chimarrão, comer pipocas, ir ao cinema ou até mesmo assistir a um DVD em casa são apenas algumas das atividades que realizo prazerosamente sozinho. Não questiono como é saudável fazer as coisas em companhia de quem se gosta. Particularmente, adoro estar junto de pessoas que fazem a diferença na minha vida. No entanto, a velocidade em que os fatos transitam em frente aos nossos olhos, de braços dados com a distância física (um abismo) que as cidades de médio e grande porte nos impõem, faz com que, às vezes, nos vejamos a sós. Simplesmente a sós.

E o que fazer? Deixar de realizar algumas atividades só porque supostamente elas devem ser feitas por duas ou mais pessoas? Cheguei a uma época da minha vida em que simplesmente me permiti. Me permiti caminhar com as mãos no bolso nas tardinhas do Quadrado, fazer um chimarrão e um prato de pipocas quando tenho vontade e, é claro, sentar-me confortavelmente no cinema para assistir a filmes como Bastardos inglórios, Avatar e, é claro, Sherlock Holmes (me lembrando apenas dos mais recentes).

E sabem que vale a pena experimentar? Esqueça do que a sociedade dos bons modos e das aparências discretamente sussurra em seus ouvidos e saia pela rua em uma tardinha. Sozinho. Olhe para os raios alaranjados de um Sol que já se põe, preste atenção nas pessoas, delicie-se com os detalhes da arquitetura dos prédios históricos de Pelotas. Enfim, aprenda a curtir a companhia inigualável daquele que está sempre com você: você mesmo.

Foto: Infocenter DP – Carlos Queiroz
 

+ COMENTÁRIOS (3) comentários
  • Concordo plenamente! Não há que se negar o quanto uma boa companhia é prazerosa! Mas estar bem consigo mesmo, permitir-se um momento a sós para relaxar, divagar, dar uma pausa nessa vida louca que temos, é imprescindível!

    ADRIANA LUCENA - 15-02-2010 - 11h13min
  • Parabéns Adorei a foto postada, pois este lugar é incrivel de passar as tardes de todos os dias com um belo chimarrão.

    Matheus Machado Pereira - 29-01-2010 - 02h21min
  • Parabéns, enfim achei mais um que sabe viver! Estou quase me aposentando e quero muito fazer essas coisas simples, ou seja, viver. Já reparou que a maior parte das pessoas desaprenderam a viver? Viva a vida!

    Francisco de Paula Medeiros Ribas - 26-01-2010 - 14h30min
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