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A emoção do dever cumprido
Por: Elen Sallaberry – elen@diariopopular.com.br
Formaturas são sempre momentos especiais. Sempre me emocionei, mesmo sem conhecer qualquer um dos estudantes. Quando minha vez chegou, no último sábado, não poderia ser diferente. Finalmente jornalista, profissão que escolhi por volta dos dez anos, folheando as inúmeras revistas que minha mãe trazia para casa. Desde cedo fui em busca dos caminhos do conhecimento. Nem sempre escolhi os passos mais fáceis, mas aqueles que acreditei serem os mais corretos.
A colação de grau representou esta conquista. O esforço de pais, amigos e professores materializado em um canudo. No entanto, o mais curioso é que a parte da cerimônia que mais me trouxe o nó à garganta não foi a esperada entrega do diploma. Foi a referência ao Hino Nacional que encheu meus olhos de lágrimas. Mãos erguidas em direção à bandeira, vozes uníssonas em uma canção de amor à nação.
Naquele momento somos parte de um todo e mais do que isso, somos vencedores em um país no qual poucos têm direito à educação. Cada estrofe que cantamos veio carregada de sentido. “Mas, se ergues da justiça a clava forte, verás que um filho teu não foge à luta, nem teme, quem te adora, a própria morte.”
Para mim, que estudei durante toda a vida em instituições públicas e que cursei a universidade com bolsa de estudos, esses foram minutos de gratidão, de compromisso com a sociedade e, principalmente, de emoção pelo dever cumprido. Durante aquele instante, desejei ter usado com responsabilidade a oportunidade que foi investida em mim, a mesma que faz falta para tantos outros jovens.
A sensação de coletividade trazida pelo Hino nos lembra que nossas escolhas, por mais individuais que pareçam, promove mudanças sociais. Faz pensar também que nada do que conquistamos seria possível se estivéssemos sós. Os conhecimentos que adquiri não são apenas meus. São do cidadão que pagou imposto e manteve as escolas em que estudei, são do gráfico que imprimiu os meus livros, são dos funcionários e dos professores da universidade que mantiveram a estrutura necessária para o meu aprendizado.
Agora devidamente graduada e empregada sinto a obrigação de retribuir à sociedade pelo menos parte do incentivo que recebi. Esta não é tarefa fácil, mas um exercício cotidiano de consciência. Isso foi realmente o que eu jurei fazer? Estou contribuindo para uma sociedade melhor? A ética e a solidariedade que prometi manter durante o meu dia-a-dia estão presentes no meu trabalho?
Atualmente, como parte da equipe de web do Diário Popular, acredito poder responder sim a estas questões. Por meio da internet, as informações que coletamos são distribuídas para todos que delas quiserem se beneficiar, em qualquer parte do mundo. Fazendo o que sei fazer, com todo o empenho, penso ser possível dar a minha parte para um futuro que realmente espelhe a grandeza deste país.


