Publicidade
Em cima do muro?!

Por: Luciara Schneid – luciara@diariopopular.com.br
Desde que este espaço foi criado, no mês de agosto, com o lançamento do novo projeto gráfico do Jornal, hesitei em expor minha opinião. Em relação a isso, acho que ainda sou um tanto quanto conservadora e ao mesmo tempo cautelosa em expressar o que penso. Há jornalistas de todo tipo. Há os especuladores e aqueles que checam tudo, para não haver dúvidas. Há os que gostam de polemizar e aqueles que simplesmente cumprem a sua função de informar. Eu me enquadro no segundo tipo, não que eu não tenha opinião, mas acho que cabe ao leitor julgar todos os lados da questão e elaborar a sua opinião.
No momento em que deixo transparecer o que penso nas minhas matérias, de certa forma estarei manipulando para que o leitor tenha apenas duas visões, pense como eu ou contra mim. Além disso, o repórter diário, que tem o contato com o seu leitor na pauta do dia-a-dia, não pode se expor ao ponto de ser rotulado deste ou daquele partido, deste ou aquele time de futebol ou desta ou daquela religião. O melhor é deixar o público na dúvida, pois como vão me considerar isento e profissional em minhas matérias se eu sair por aí “vestido com a camiseta” de determinado time ou partido?
Eu nunca gostei muito da expressão “em cima do muro”, mas esta é a posição certa para quem trabalha como formador de opinião. Dali, de cima do muro, temos a visão privilegiada para descrever ao leitor o que está acontecendo de cada um dos lados do muro. Acho importante ter um lado, uma opinião, mas não acho prudente divulgá-los. Para isso o Jornal tem o editorial, onde é exposta a opinião da empresa, não dos jornalistas. A posição do veículo em que trabalho pode não ser a minha. Não admito ser rotulada.
As pessoas têm a mania de cobrar atitudes dos outros, mas nem sempre estão habilitadas para isso. Em conversa diária com meu colega de ilha, na Redação, o jornalista Roberto Ribeiro, analisávamos as atitudes de alguns não fumantes em censurar os fumantes, simplesmente porque eles acenderam o cigarro, seja onde for, até em locais abertos. A lei exige que não se fume em locais fechados, entretanto já vi não fumantes censurarem fumantes na praia, parada de ônibus, trêileres de lanches, locais abertos e onde, teoricamente, o fumo é lícito.
No entanto, algumas destas pessoas que censuram os fumantes jogam lixo no meio da rua, da janela do carro, vão à praia e não recolhem o seu lixo. Bom, para quem não queria se expor eu já fui longe demais. Acho que a lei antifumo só será cumprida efetivamente quando as pessoas reverem os seus conceitos e ações e entenderem que o ato de acender ou não o cigarro, jogar ou não lixo no meio da rua tem apenas um fim: o respeito ao outro.
Foto: Infocenter DP - Moises Vasconcellos


