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Além do futebol
Por: Mônica Jorge – monica@diariopopular.com.br

Acredito no esporte como uma das melhores formas de diminuir a violência e qualquer tipo de discriminação, visto que para se tornar um atleta é preciso dedicação, vida saudável e convívio diário com pessoas de diferentes cores, classes e personalidades. Não só convívio, como também entrosamento.
Por isso, fico impressionada e indignada de ver como um país com tantos talentos em diversas modalidades como o Brasil pode investir apenas no futebol masculino. Muitos atletas - alguns que inclusive atingiram o ápice de conquistar um ouro em competições mundiais - ainda lutam por patrocínio.
Em Pelotas essa situação não é diferente. Algumas universidades brasileiras, a exemplo das norte-americanas, começaram a dar mais apoio ao esporte. Formaram times de qualidade com incentivo para os atletas através de bolsas de estudos, salário, além de arcar com as despesas básicas, como alimentação e moradia.
Aqui eu não vejo isso. Temos uma grande universidade com o curso de Educação Física, outra ainda pequena, e muitos talentos para poucos projetos. No pouco tempo em que trabalho na Editoria de Esportes já cansei de entrevistar atletas que se sobressaíram no vôlei, tênis, basquete, ginástica artística, golfe, entre outros, e tiveram de sair da cidade e até do Estado para ter a oportunidade de serem descobertos em busca do sucesso na carreira.
Não culpo só as universidades pela falta de estímulo, mas também as empresas que não oferecem apoio e o sistema de educação como um todo. Todas as escolas, tanto públicas como privadas, sem exceção, deveriam ter infraestrutura necessária e dar a importância devida para as práticas desportivas. Esta seria uma forma de apresentar um caminho oposto ao das drogas desde cedo para a criançada. Estou certa de que se o Brasil tivesse esta estrutura, ficaria na lista dos países com os maiores medalhistas do mundo.
Alguns profissionais dão a cara a bater e tentam formar grupos de qualidade com o pouco ou nenhum recurso que têm em Pelotas. Porém, a história é sempre a mesma, não aparece patrocínio, não se tem incentivo e os atletas praticamente têm de pagar para poder disputar campeonatos de alto nível.
Aí, quando os resultados são desastrosos, todo mundo ri e cobra sem saber do sacrifício diário e do esforço dos envolvidos para poderem, simplesmente, pôr em prática o caminho saudável que escolheram.
Foto: Infocenter – Felipe Nyland – Especial DP


