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Reitor da UFPel no Espírita

12 de Março de 2018 - 08h27 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Paulo Rosa
prosasousa@gmail.com

Educar e governar são, lucidamente, tarefas impossíveis. É tal a complexidade, tão grande o número de variáveis, tão continuamente cambiantes os processos, que o qualificativo dá um toque da realidade que espera a quem se propõe educador ou governar. Psicanalisar seria uma terceira função que tange ao irrealizável.

Reitor Pedro Rodrigues Curi Hallal é o convidado do Hospital Espírita (HEP) para, nesta quarta, 14 de março, às 8h15min, participar de nosso Programa de Cultura que promove, semanalmente, encontros com profissionais de diferentes áreas, visando aprimorar o atendimento interdisciplinar, a integração com a comunidade. O norte aqui é de que Cultura Cura, sentido amplo, em base a estudos que mostram: o aprimoramento cultural se associa com menores riscos de padecimento mental.

A jovem Universidade Federal, fundada em 1969, em sua breve existência alcançou padrão elevado em áreas diversas, entre elas a Epidemiologia, grupo a que pertence o reitor. De longa data, a Faculdade de Medicina da UFPel é parceira do Espírita, mantendo em nossos serviços a residência em Psiquiatria. Esse acordo bilateral enriquece a ambas as instituições, permitindo uma preparação para o atendimento de pessoas com patologias graves, assim como proporcionar a presença de jovens médicos, trabalhando no hospital.

Mas, se gerir pessoas é o x de tudo, aqui no HEP é o foco. A questão é como aliar ciência e tecnologia com humanismo. Para isso, muito nos pautamos por Riobaldo: “Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa”. Indispensável em gestão de hospício, a visão roseana, mais que sensata (Grande sertão, p. 14), pastoreia a hospitalidade sem se afastar dessa etimologia comum a hotel, hospital, hospício, hospedaria. Buscamos gestões horizontalizadas, como Nise da Silveira, mantendo acesa a indagação “quem aqui está louco, o doutor ou o Outro?”.

Procuramos riscos via “com toda leitura e suma doutoração”, que Guimarães Rosa, p.13, nos faz ver perigos em lustrosos curriculum vitae, que podem nos estropear a escuta. Ouvir é central e prévio a qualquer ação - qualquer -, mas nada é mais difícil que manter ouvidos abertos. Mais, faz bem à saúde aprender a escutar aos que pensam o oposto e nos fazem lindas críticas, bem como criar, por gosto, dificuldades, tipo escrever com a mão que não temos destreza. Gente como Samuel Beckett tinha o costume e, diz, é estimulante.

Gestões contemporâneas, onde seja, trabalham com incertezas e buscam horizontalidades - o novo empoderamento -, como se vê ainda no Grande sertão, p. 350: “Eu nunca tinha certeza de coisa nenhuma”, o que é salutar para tempos de inteligência artificial e de algoritmos, escarvando em nossas vidas. Curioso século, viver e gerir é cada vez mais fácil e também mais difícil, e nesse paradoxo vamos.

“Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura”, arremata o Guimarães. Veredas, onde?
Schlee, o curador, estará presente.


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