Opinião

A rua como teto

06 de Março de 2018 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

É visível para quem percorre diariamente os bairros de Pelotas. As ruas da cidade viraram abrigo nos últimos anos a um número maior de homens e mulheres que passaram a viver em praças, embaixo de marquises, calçadas e terrenos baldios. Pessoas das mais variadas idades, cada uma com sua história de vida e motivos diferentes para tal opção.

No município, a referência no atendimento desse público é o Centro de Referência Especializado para Pessoas em Situação de Rua, o Centro Pop. Com capacidade para atender até 80 pessoas por mês, há cerca de um ano vinha prestando auxílio diário a 60 indivíduos. E o que mais chamava a atenção da Secretaria de Assistência Social era justamente o aumento considerável de moradores de rua. Eram cem em 2014 e, quatro anos depois, em torno de 400.

A mesma realidade de outros municípios com o porte semelhante ao de Pelotas, procurados, inclusive, por pessoas de regiões afastadas. O dado mais atual a respeito do assunto foi divulgado pelo Instituto Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que tomou como base 2015 e projetou, no Brasil, pouco mais de cem mil pessoas vivendo sem um teto. O texto apontava que os grandes municípios abrigavam, naquele ano, a maior parte desse grupo. Das 101.854 pessoas sem referência de moradia, 40,1% estavam em cidades com mais de 900 mil habitantes e 77,02% habitavam aqueles com mais de cem mil pessoas. Já nos municípios menores, com até dez mil habitantes, a porcentagem era bem menor: apenas 6,63%.

E para os locais com mais de cem mil moradores, como aqui, a recomendação era o incentivo a pesquisas municipais com esse segmento, para melhorar a política pública de assistência social.


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