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Rússia: o país do recomeço

03 de Março de 2018 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Marcelo Bertholdi Oxley, Jornalista

Entramos em 2018 e com uma velocidade estupenda, o maior evento de futebol se aproxima a passos largos e fortes. A Copa do Mundo que será realizada na Rússia, em junho deste ano, já possui a sua primeira grande marca: a ausência da tradicional seleção italiana, dona de quatro títulos mundiais.

Para nós, torcedores sofridos brasileiros, será a Copa da motivação, da afirmação e a primeira para esquecer o catastrófico ano de 2014, pois foi neste mesmo ano, neste mesmo evento, realizado aqui no Brasil, que fomos surrados pela seleção alemã por implacáveis 7x1, numa das semifinais.

De lá para cá, muitas coisas mudaram e o futebol, pelo o que tudo indica, ressurgiu logo após o comando técnico ser preenchido por Adenor Leonardo Bachi, ou somente, Tite. Com ele, fomos a primeira seleção classificada para o Mundial de 2018. Por consequência, Tite também deu um tom especial e alavancou ainda mais, a nossa hegemonia em sermos a única seleção que participará de todas as edições de uma Copa.

Porém, a goleada sofrida para a Alemanha, na última Copa do Mundo, e a angústia no início das Eliminatórias à Rússia, deixaram marcas, cicatrizes profundas e esquecimento de jogadores e treinadores. O atacante Fred, goleador por onde passa, nunca mais foi lembrado pelos seguintes técnicos da Seleção. Assim como o finalizador, Oscar e David Luiz estão esquecidos e, muito bem esquecidos. Felipão, que assumiu toda a responsabilidade daquela eliminação, nunca mais se ouviu falar, assim como Dunga, seu sucessor, que segundo muitos especialistas, não nos levaria à próxima Copa, caso permanecesse no comando das Eliminatórias.

Passado todo este turbilhão, novos nomes foram testados e aprovados para algumas lacunas. Todavia, ainda existem remanescentes daquela tragédia em solo Tupiniquim. Marcelo, Daniel Alves, Paulinho, Thiago Silva e Neymar (os dois últimos não atuaram contra a Alemanha), vivem bons momentos em seus clubes e devem estar na Rússia. Outros nomes, como o goleiro Alisson, Marquinhos, Gabriel Jesus, Willian e Coutinho, caíram como “uma luva” nas pretensões de Tite. A mescla do “antigo” com o “novo” pode ser analisada como um paralelo entre a experiência de quem já participou, falhou e precisa dar a “volta por cima”, com a vontade e inexperiência de quem não quer falhar.

A nossa seleção, com certeza, está mais competitiva, madura e com atletas mais novos. É outro futebol. Muito mais moderno e atento ao recente momento em que o esporte atravessa. A medalha de ouro, conquistada nas Olimpíadas realizadas no Brasil em 2016, contra a Alemanha, não pode ser considerada como uma “revanche”. Conseguimos um feito, sim, pois nunca havíamos conquistado o primeiro lugar e, consecutivamente, o ouro, nesta modalidade. Contudo, como respiramos futebol, é preciso, para nós milhares de apaixonados pela bola, que o Brasil se redima na Rússia. É lá que estarão as melhores seleções, os melhores jogadores, treinadores e, claro, o nosso carrasco de 2014.

Nesta vigésima primeira edição de Copa do Mundo, o Brasil aparece muito bem colocado, no que a Federação Internacional de Futebol (Fifa) entende como Ranking: aparecemos na segunda colocação, atrás da atual campeã, Alemanha. Contudo, precisamos apresentar dentro do campo esta classificação. 

Confiamos, absurdamente, em nosso treinador. O seguimos, se necessário for, de olhos fechados. E não é por menos: Tite nos devolveu a alegria e a vontade de “querer” torcer pela Seleção. Hoje temos um treinador que é mais do que um comandante: Tite é a cara do que o Brasil estava precisando - confiança.

Ainda temos alguns meses para sonhar com este evento. O maior do futebol e, com a presença da Seleção brasileira, a única pentacampeã. Não somos mais, nem ao longe, considerados o país do futebol, também pudera, atravessávamos ou ainda atravessamos, um dos nossos piores momentos. Mas parece que os “deuses” da bola começam a olhar para aquele país onde tudo começou: República Federativa do Brasil. O país de Pelé, Romário e Ronaldos. O país que vibrou nos anos de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, sonha em conquistar não somente o seu sexto título, mas também recuperar a confiança com o seu povo.


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