Comentário

Bom dia, soldado!

02 de Março de 2018 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Paulo Gaiger, Professor da UFPel, cantor, ator e diretor teatral

Já se passaram vários dias da intervenção militar no Rio de Janeiro com algumas trapalhadas e absurdos, resultantes de uma decisão tomada sem planejamento e que, segundo analistas, serve mais para tecer o tapete da candidatura Temer. Ao mesmo tempo, tenta obliterar as acusações de corrupção, seus amigos safados e sua péssima gestão. Mas diante do todo-poderoso tráfico de drogas, da violência disseminada e de tanta incompetência do Pezão e do Crivella, ambos eleitos com os votos de fluminenses e cariocas, haveria outra medida emergencial a ser adotada?

Talvez, fique só no susto: buuu, narcotraficantes! E, provavelmente, como uma injusta cicatriz nos moradores das favelas, quase todos pobres e pretos. Marcelo Crivella, pastor licenciado e pecador na ativa, já contou com o abraço do ex-presidente Lula, e é um baita exemplo para os eleitores de todo o país: a irresponsabilidade do voto, a crença em salvadores da pátria, o voto em “Jesus”, o não estou nem aí que acabam em mais desgraça.

Luiz Fernando Pezão, amigo do Temer e de sorrisos da Dilma, é outro exemplo de quem não pode sequer ser síndico, sob pena de termos que vender o edifício para pagar as dívidas e os desvios da taxa do condomínio.

Não é de hoje. Se o Rio de Janeiro continua lindo, nas últimas décadas tem sido administrado por uma sucessão de canalhas que o podem lançar à fealdade irreversível: paisagística, política, estrutural e humana.

Nem o Redentor, do alto do Corcovado, salvará! Somente algumas das Escolas de Samba para nos acordar! E o Chico, o Caetano e a Fernanda Montenegro! Um soldado do exército, pronto para seguir as ordens superiores na intervenção, quem sabe se pergunte: por que não recebemos ordens para invadir os condomínios da Vieira Souto? Por que Temer e sua base aliada, comprada com muito dinheiro público, não estão nos tribunais? Por que o exército nunca interviu na Fiesp? Por que as pessoas usam a expressão “vagabundo” para pobres e pretos e não para ricos brancos? Quantos pretos estão indiciados ou presos na Lava-Jato? Quantos estiveram no Mensalão Tucano ou do PT? Quantos estão envolvidos na adulteração do queijo e do leite? Quantos pretos estão no comando da Samarco?

Veja, minha Nossa Senhora Aparecida, divaga o soldado com o fuzil em punho: os piores bandidos não são pobres nem pretos. Os piores bandidos do Brasil são ricos e estão livres, contam com o foro privilegiado, com a justiça de griffe, com os melhores advogados, com o apoio das forças armadas, com as orações das igrejas fundamentalistas e com a proteção da Santa Ignorância. Quem sabe, ele sonha, ao invés do fuzil, políticas de educação, espaços para o lazer e para as artes, ações enérgicas para diminuir a desigualdade social e o preconceito, o fim da impunidade e dos privilégios, uma polícia capacitada e com alta tecnologia... Um moleque pobre e preto o cutuca: bom dia, soldado!


Comentários

Diário Popular - Todos os direitos reservados