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Parcerias: uma saída para o Estado

28 de Fevereiro de 2018 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Yeda Crusius, Deputada federal e ex-governadora do RS

Há alguns meses, um temporal destruiu o tradicional Ginásio da Brigada Militar, em Porto Alegre. Símbolo de uma corporação que ajudou a escrever a história do Rio Grande do Sul e, com credibilidade, segue presente no combate ao crime e na prevenção da violência.

Até hoje, o local segue em escombros. Como reconstrui-lo, sabendo que não há orçamento suficiente sequer para cumprir pagamentos básicos como salários? Vendendo a área, talvez, para que os recursos obtidos revertam para a Secretaria de Segurança Pública, deficitária em serviços e efetivo?

Não há dinheiro para tudo. Nossas despesas estão muito além do arrecadado. Com déficit, o Estado é incapaz de suportar todo o peso de uma máquina defasada e inchada pelo tempo. E nem mesmo se consegue financiar o que é prioritário. Como fazer, então?

Cito um exemplo de meu período como governadora, quando anunciamos a construção de seis unidades do Colégio Tiradentes, que de Porto Alegre chegaria a todo o Estado, uma delas em Pelotas. A instituição, vinculada à Brigada Militar, é um case de qualidade no ensino, referendado pelas avaliações nacionais.
E como fizemos? Não tiramos recursos de outro setor. Unimos gestão e parcerias. Empresas montaram laboratórios. A prefeitura e o Estado cederam professores. O equipamento físico era da BM local.

Regionalizamos a qualidade. Hoje o colégio é referência em ensino, confirmado pelo ENEM 2016: a escola de Pelotas está em 10° lugar entre as melhores instituições públicas gaúchas. A disputa pelas vagas é intensa. Há vestibular. Há disciplina e responsabilidade. É a educação transformando vidas e construindo novos futuros.

Esta é uma saída para levarmos educação, esporte e cultura para nossos jovens. Para garantir o atendimento em saúde. Para fomentar o desenvolvimento. Para reerguer nossos símbolos. Setor público e privado andando juntos e, assim, beneficiando a todos. O Estado não aguenta levantar sozinho o que o temporal derrubou - seja aquele provocado pelo clima ou pela ação de homens fiscalmente irresponsáveis. Vamos lá?


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