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O descredenciamento do Dr. Schlee

26 de Fevereiro de 2018 - 08h08 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Paulo Rosa e Luis Rubira  - professores

Não tem mais jeito. O Dr. Schlee ultrapassou a “linha divisória”, atingiu os “limites do impossível”. Não adianta ele vir com seus “contos de sempre”, com a lábia acastelhanada que enredou todo mundo, até no “dia em que o Papa foi a Melo”. Não tem choro nem vela, não adianta querer nos subornar com aquelas trezentas onças que estão na sua guaiaca, e nem rezar para a santa “Madre Mia”.

Está nos autos, sessão 4.032 da Sociedade, que o Dr. Aldyr Garcia Schlee foi descredenciado. Em que pesem os argumentos da defesa e o alarido das galerias, cujas faixas exaltavam “inexcedível”, “insofismável”, o referido Doutor foi descredenciado. Foi ele flagrado infringindo a CMI, Carta Magna Interna, da Sociedade, no quesito frequência. Absteve-se, sem explicações plausíveis, do devido comparecimento semanal, logo, cabe sua desfiliação. Ele que fique congelando lá no rigoroso inverno de Jaguarão e que vá enrolar o “Don Frutos” com seus “contos de verdade”. Mesmo tendo brios jurídicos, de nada adianta recorrer, interpondo recursos, nem valer-se da insistência de incontáveis amigos advogados a pedidos de vistas: a Sociedade, justa e irretocável, já se pronunciou: descredenciado.

Astuto, o infatigável professor espargiu argumentos que vão desde o Teorema de Gödel, para quem tudo na vida é incompleto, até para sessões faltantes, à visão de si mesmo como um bioma e de que sua conduta absenteísta decorreu de alterações à sua revelia, em função de suas transtornadas floras bacterianas, até a recente invasão de grilos na cidade, que o distraíram. A fé dos juízes é inquebrantável. Descredenciado.

Matreiro, tem nos feito chegar, por terceiros, bilhetes de inocente aparência, citando a Plutarco, no tratado Maneira de Discernir o Adulador do Amigo, insistindo no último aspecto como de sua pessoa. Puxando assunto, envia livro Memórias de o que Já Não Será, sabendo que nos toca ao descrever-se debruçado na ponte de Jaguarão, um pé no Brasil, outro no Uruguai, dando a entender que, solitário, talvez busque exílio em Treinta y Tres. Reconhecemos o esforço, mas não arredamos pé. Sem mais milongas, nem contos da vida difícil.


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