Artigo

O dissídio Trótski-Stálin

24 de Fevereiro de 2018 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Sergio Cruz Lima, Colaborador

Ucraniano, nascido em 1879 no seio de uma família judia de trabalhadores proprietários, Lev Davidovitch Braustein - Leon Trótski - realiza o curso de Direito em Odessa. Ainda jovem, funda uma entidade de caráter social-democrata, a Liga Operária do Sul da Rússia. Desterrado na Sibéria, em 1900 foge para Londres e ali colabora com Lênin na edição da revista Iskra. Ao retornar à Rússia, cinco anos depois, participa da revolução daquele ano. O movimento revolucionário dá com os burros n’água. Novamente deportado na Sibéria, de lá foge no ano seguinte. Em Viena, no período 1908/1912, dirige o Pravda.

Iniciada a Revolução de Outubro, Trótski regressa à Rússia e participa ativamente da conquista do poder pelos bolcheviques. Como líder do Exército Vermelho, conduz o Partido Comunista à vitória. Eleito membro do Comitê Central, logo começa a divergir dos antigos correligionários sobre economia política. Advoga maior controle governamental para alcançar um comunismo legítimo, enquanto seus opositores acreditam que isso haveria de gerar mais burocracia. Convicto de sua posição, Trótski não abre mão de seu ponto de vista.

Doente, Lênin nomeia Stálin para a secretaria-geral do Partido Comunista e, à medida que o estado de saúde do líder comunista se agrava, Stálin e Trótski começam a disputar a liderança partidária. Hábil, Stálin usa a sua influência pessoal e expulsa os trotskistas do governo. Lênin morre. Stálin emerge como líder inconteste do Partido Comunista. Trótski se rebela. A resposta não se faz por esperar. Ele é afastado do poder e privado dos cargos ocupados. Além das lutas de poder, há entre eles radicais divergências filosóficas. Stálin afiançava que uma nação por si só é capaz de assentar uma sociedade socialista de modo bem-sucedido; ao contrário, Trótski pensava que o comunismo requer uma revolução global para, então, triunfar.

Em novembro de 1927 - 90 anos passados! - Leon Trótski é expulso do Partido Comunista por questionar Stálin e seu grupo. Acusado de armar o assassinato de Stálin, é compelido a deixar a União Soviética em 1929, refugiando-se no México. Na capital mexicana é ouvido pela Comissão Dewey, que o absolve das acusações. Em 1938, Trótski funda a Quarta Internacional e, dois anos depois, em agosto de 1940, é assassinado em sua residência por Ramón Mercader, um agente soviético. Idade? 60 anos!

 


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