Opinião

Migração global

23 de Fevereiro de 2018 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Neiff Satte Alam

Macedônios, gregos, romanos, bretões, franceses, alemães, portugueses, espanhóis e tantos outros europeus estenderam seus tentáculos pelo mundo inteiro. Navios deslocavam-se para a Ásia, África, América e Oceania levando milhões de europeus para dominar, deixando miséria e destruição e trazendo para os cofres de seus países a maior riqueza possível.

Nos últimos 500 anos, culturas inteiras foram dizimadas em nome da civilização europeia, entendida como sendo a única moral, religiosa e eticamente correta.

O futuro da Europa dependia, então, desta migração em direção aos outros continentes, não interessava o que representava de prejuízo às civilizações destas distantes terras, mas interessava o quanto de lucro e de vantagens obtivessem. Muitas nações foram atiradas nas trevas do obscurantismo pela fúria colonizadora que, de forma predatória e por vezes tipicamente parasitária, para enriquecer os poderosos europeus...

Não satisfeitos, promoveram migrações forçadas dos negros para transformá-los em escravos no Novo Mundo (!); traçaram novas fronteiras, sem respeitarem etnias e culturas regionais, no Oriente Médio; estabeleceram novas regras econômicas que, tendenciosas, provocaram uma nova forma de colonialismo.

Passados alguns séculos, uma necessária readequação e reorganização planetária provocam uma inversão migratória, na verdade uma cobrança por todo este tempo de exploração. A Europa está sendo invadida por milhões de migrantes que, mais do que pedir esmola, estão exigindo a devolução do que lhes foi subtraído em centenas de anos.

Em cada migrante árabe ou africano há um antepassado que contribuiu de forma forçada para com a riqueza da Europa. A decisão alemã em receber e ajudar os migrantes, já seguida por outros países, mais do que justa é um mea culpa, um tardio, mas bem aceito, reconhecimento do quanto a Europa deve ao mundo pela selvageria colonialista do passado.

O Brasil, povo forjado por estas migrações, bem sabe o quanto é importante receber estas pessoas que tiveram que abandonar suas casas, seu país, sua milenar cultura e procurar refúgio tão longe ... Podemos oferecer ao mundo nosso exemplo de como pode crescer uma nação que sabe receber e apoiar os desafortunados migrantes.

Hoje são os venezuelanos, vítimas de um regime pseudodemocrático, que chegam ao Norte de nosso país, com seus olhares de desespero e sem previsão de futuro, mas com muito passado, muita história e muito a contribuir com o povo que os está acolhendo. Nosso país é assim, recebe imigrante, seja por que motivo for, pois nossa genética é universal, somos o produto de muitas etnias; somos um caldo em ebulição de todas as culturas universais.

Cada imigrante que chegar a nosso território nos remete à lembrança que o mesmo aconteceu com nossos antepassados quando, em busca de novos rumos, construíram esta nação, que vai superando crises e mais crises e sempre alimentada pela esperança.

As diferenças culturais devem ser encaradas como uma vantagem à formação das civilizações do futuro, fruto de uma miscigenação sadia, que transformará este Homem em um ser melhor...e nosso país melhor do que hoje...


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