A universidade antes dos 16 anos

19 de Fevereiro de 2018 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

N ão existe consenso em relação à idade ideal para os jovens ingressarem no Ensino Superior. Em média, transcorridos o Fundamental (nove anos) e o Médio (três anos) sem interferências no meio do caminho, os adolescentes brasileiros têm realizado o processo seletivo com 17, 18 anos. Realidade que, algumas vezes, é quebrada por exceções, como a de Emanuelle Passarini, nova estudante universitária em São Paulo.

Emanuelle ganhou destaque por garantir uma vaga, com apenas 15 anos, em um dos cursos mais concorridos da USP, o de Medicina. Aprovada na primeira lista do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), oferecido na Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), a egressa da Escola Técnica Estadual (Etec) Paulino Botelho, em São Carlos, é superdotada e avançou algumas séries dos ensinos Fundamental e Médio.

Matriculada pelos pais no último dia 5 de fevereiro, a adolescente - ouvida pelo Jornal da USP - não vê dificuldades pela frente nessa mudança em sua rotina. “Devido ao avanço de séries, sempre convivi com pessoas mais velhas e, por isso, amadureci mais rápido”, avalia. Ela ainda teve a possibilidade de ingressar em Engenharia de Produção, também selecionada.

A mudança não será apenas para ela, mas para seus pais, que verão a filha deixar o lar onde cresceu e viver em outra cidade. “Eu descobri que teria que mudar de cidade na segunda-feira (29 de janeiro) porque eu não esperava passar na primeira chamada em Medicina. Algumas das opções são morar com outros alunos, com uma amiga da minha mãe ou a minha mãe vai tirar uma licença e se mudar para Bauru até que eu tenha idade legal para morar sozinha”, disse a futura médica.

A responsabilidade também aumentará para a instituição de ensino, que terá uma aluna diferenciada, em idade e percepção de mundo, dentro de um grupo relativamente mais maduro.

A maturidade, aliás, é um dos principais pontos apontados por especialistas quando o assunto é “a idade certa para ingressar na universidade”. Aos pais cabe acompanhar de perto essa evolução do filho, respeitar seu momento e orientá-lo quanto ao que deseja. Como a geração atual tem como principal marca a “pressa”, qualquer decisão rápida nesse momento de passagem - Ensino Médio-Ensino Superior - pode, logo ali, mostrar-se equivocada.

Para Emanuelle, acompanhada por seus pais desde a infância, a escolha parece acertada. Aos 15 anos, apenas.


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