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Fascismos, fascistas...

17 de Fevereiro de 2018 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por:  Gustavo Jaccottet, Advogado

Não há espaço para o fascismo, tampouco para fascistas. Em comentário aqui publicado foi aludido que somos governados por gente branca e rica. Na mesma linha de raciocínio o autor sugeriu que isto é apenas a ponta da espada, pois o pior ainda está por vir. Não compartilho da sua leitura do cenário político brasileiro, pelo contrário, tenho esperança de que daqui em diante possamos dialogar de forma sólida e democrática, sem recorrer a extremismos ou agressões mútuas, pois a palavra “fascismo” é forte, agressiva e desprezível.

É o uso cada vez mais corriqueiro da alcunha “fascista” que me consterna, pois está presente nos discursos da esquerda, ora atacando um lado da direita, ora outro. Não há um consenso entre o que se entenda por fascismo no presente, mas desde já asseguro que ele não existe no Brasil, tampouco chegará a se fazer presente por aqui, ainda que tenha tido alguns reflexos durante o período em que Getúlio Vargas esteve no poder.

A esquerda tem como um de seus ícones intelectuais a filósofa Márcia Tiburi, autora da obra Como conversar com um fascista, pois bem, ela defende que no mundo hodierno vivenciamos neofascismos e insinua que os que negam a existência destes apenas o associam ao movimento que ocorreu na Itália de Mussolini, mas a autora vai além e une o fascismo dos anos 2000 aos que prezam pelos costumes, pela família, pelo direito de se armar, pelos contrários ao aborto e favoráveis à pena de morte, assim como aos que batizam os direitos humanos apenas para “humanos direitos”. Entre o que Márcia Tiburi e outros pregam acerca do fascismo e o que ele realmente é, há um vácuo tão grande como a distância entre a praia do Cassino e o Hermenegildo.

O fascismo foi um reflexo político de países empobrecidos pela Primeira Guerra Mundial e que encontraram em figuras emblemáticas, como Mussolini, a esperança de dias melhores. Por ser autoritário e vincular a total concentração de poder ao seu viés político. Faz parte do fascismo a glorificação das fortunas e triunfos nacionais, a exemplo do que foi feito por Vargas com a criação da Petrobras, bem como com a criação da CLT e de toda estrutura sindical brasileira.

Se há no Brasil movimentos ou organizações fascistas, garanto ao leitor que tais se fazem presentes na esquerda, não na direita, como o MST e o MTST. Bolsonaro e o MBL estão longe de qualquer forma de fascismo, salvo se entendermos que Márcia Tiburi está correta, mas a própria, que escreveu um manual de como se dialogar com um fascista, fugiu ao debate com um dos membros do MBL ao chamá-lo explicitamente de fascista. Se a autora, do alto do seu tablado intelectual, foge ao debate com um dos líderes do MBL, fico a me perguntar se a mesma tem a real dimensão do que é o fascismo.

Cito que os movimentos aos quais a esquerda se filia, especialmente ao de Maduro na Venezuela, lidam com o cerceamento da liberdade de expressão e com a redução das demais garantias individuais. O governo incide na “aquisição” da fidelidade dos seus governados por meio de programas sociais, como fez Lula com o Bolsa Família, por exemplo. Estas ações custam caro ao Estado e só podem ser financiadas quando há dentro dele um mecanismo Estatal que o custeie. No caso da Venezuela foi a PDVSA, sua companhia petrolífera, aqui no Brasil foi o engodo do pré-sal e os desvios financeiros da Petrobras e de outras estatais. Aos fascistas o que vale é assegurar que a população fique por debaixo de suas asas, acreditando que somente o governo seja capaz de outorgar carinho e proteção, além, claro, de amor e compaixão.

 


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