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Atentado na rue de Courcelles

17 de Fevereiro de 2018 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Sergio Cruz Lima, Colaborador

Em Paris, ao recusar a oferta de mudar-se para o Hôtel de Monaco, na rue Saint-Dominique, dom Pedro I, agora simplesmente duque de Bragança, passa a residir na rue de Courcelles, 10. Construído em 1812, o palacete para onde se transferem os Bragança, é um edifício austero, de três pavimentos, hoje propriedade de um xeque árabe.

Se, por um lado, distancia-se das cocheiras e passeios a cavalo nos campos do Rio de Janeiro, por outro, dom Pedro poderia agora melhor desfrutar a cena cultural de uma grande cidade. Na primeira semana de casa nova, porém, a família evita aparecer em público. Cansados de esperar pelo ex-imperador do Brasil, uma revolta liberal tentara derrubar o governo em Portugal, mas o levante fora massacrado por tropas fiéis ao regime. A mando de dom Miguel, rei lusitano, 44 sediciosos são enforcados em praça pública. Em Paris, dom Pedro decreta luto familiar e se abstém de assistir a óperas e concertos.

Mais próximo do centro do poder e das decisões políticas, o palacete da rue de Courcelles torna-se um ponto de encontro para lusos e brasileiros. Entre eles, o general Abreu e Lima, pernambucano que lutara ao lado de Bolívar pela independência da Grã-Colômbia, e que agora aliara-se a dom Pedro na luta pela reconquista da coroa lusa de dona Maria II, filha de dom Pedro e de dona Leopoldina. Na data do aniversário do ex-imperador, que completava 33 anos, um jornal francês publica uma nota afirmando que a expedição militar a Portugal partirá em três semanas. Pura balela! Mas isso reacende a esperança dos exilados portugueses, que batem à porta do duque de Bragança. Mais: a festa é a oportunidade de saudar a rainha de Portugal que, do alto de seus 12 anos, lhes dá a mão a beijar. Eles veem na miúda a esperança de dias melhores para si e para seu país. Demonstram, contudo, certa preocupação com a segurança da menina que, dias depois, sofreria de fato um atentado.

Em 25 de novembro de 1831, uma bala atravessa a janela do quarto da soberana, ricocheteia na parede e estilhaça um espelho veneziano. Maria e a aia Leonor da Câmara levam um grande susto. Acionada, a polícia francesa nada descobre, mas o rei Luís Felipe manda reforçar a segurança da casa ducal. O atentado reacende os rumores de que um complô se formara em Paris, agenciado pelo governo autocrático de dom Miguel, irmão de dom Pedro, para assassinar a jovem rainha de Portugal.


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