Editorial

O efeito Lula nas eleições

01 de Fevereiro de 2018 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Se existe alguém vibrando com o resultado do julgamento do recursos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) junto à 8ª Turma do TRF-4, que não só confirmou, por unanimidade, a condenação pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, mas ampliou a pena de nove anos e meio para 12 anos e um mês de reclusão em regime fechado e pagamento de 280 dias-multa, é Jair Bolsonaro (PSC), pré-candidato à presidência da República.

A última pesquisa eleitoral do Datafolha, divulgada ontem, mostrou o deputado federal líder nas intenções de votos (18%), em simulação para o primeiro turno, sem a figura de Lula concorrendo. Com o nome do ex-presidente na disputa, Bolsonaro volta para o segundo lugar (16%). Lula tem 34%.

No caso da simulação em que o representante do PSC lidera, os demais nomes que angariaram votos dos eleitores são os seguintes: Marina Silva (Rede) _ 13%,  Ciro (PDT) _ 10%, Luciano Huck (sem partido) _ 8% e Geraldo Alckmin (PSDB) _ 8%. Essa mesma sequência aparece quando Lula lidera, mas com o seguinte percentual: Marina _ 8%,  Ciro _ 6%, Huck _ 6% e Alckmin (PSDB) _ 6%.

O pleito será um com a figura do ex-presidente e outro sem sua participação. Ao ter a condenação confirmada pelo TRF-4 (segunda instância), Lula pode ser impedido de tentar o terceiro mandato ao ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa. Tende a ser um processo sem franco favorito e aberto a novas experiências partidárias.
E por mais que apareça bem colocado na última pesquisa Datafolha, Bolsonaro tentou impedir a publicação, sem sucesso. Ele e o Partido Social Liberal (PSL) solicitaram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a impugnação do levantamento, com o argumento de que os questionamentos eram tendenciosos. A pergunta de número 19 apresentou o seguinte teor ao entrevistado: "Você tomou conhecimento sobre denúncias envolvendo o aumento do patrimônio da família do deputado Jair Bolsonaro desde o início da sua carreira política? (ESTIMULADA E ÚNICA)".

As siglas e os pré-candidatos sabem que a corrida ao Palácio do Planalto começou no dia 24 de janeiro, após o resultado do julgamento do recursos em Porto Alegre. Com grande chance de ficar de fora das urnas _ e até mesmo ser preso -, o líder nas intenções de voto poderá ser apenas um espectador e testemunhar uma das campanhas mais estranhas dos últimos anos no Brasil.


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