Editorial

Cerco cada vez maior ao cigarro

25 de Janeiro de 2018 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Após a publicação em 15 de dezembro do ano passado das novas imagens de advertência sanitária que passaram a ser obrigatórias nos rótulos dos cigarros e produtos derivados do tabaco comercializados no Brasil, a diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o texto de resolução que regra a exposição e a comercialização desses produtos no comércio.

Em breve, os locais de venda terão de seguir normas mais restritas de exposição das embalagens. Terão, por exemplo, que manter a maior distância possível entre os maços de cigarro dos produtos destinados ao consumo do público infanto-juvenil, como balas e chocolates.

Além disso, os comerciantes não poderão inserir recursos de marketing adicional, como cores, sons, iluminação direcionada, entre outros, nos mostruários ou vitrines de exposição das embalagens. A resolução é um complemento de outro ato normativo aprovado pela Anvisa, no fim do ano passado (RDC 195/2017), que veda a utilização de recursos de propaganda nas embalagens que possam induzir ao consumo ou sugerir que o produto não é prejudicial à saúde. No casos das novas imagens de advertência padrão, elas ocuparão 100% da face posterior das embalagens.

Durante o processo de análise, a pesquisadora Cristina Perez, do Projeto Internacional de Avaliação das Políticas de Controle do Tabaco (ITC), apresentou a pesquisa divulgada pela revista científica Tobacco Control. O estudo mostra que nos 77 países onde atualmente as propagandas de cigarro já foram banidas nos pontos de venda, houve redução média de 7% na prevalência do tabagismo entre adultos. Outro estudo apresentado pela pesquisadora mostrou que 71% dos jovens que já viram cigarros em supermercados, padarias ou bancas de jornais se sentem influenciados a consumir o produto.

O efeito da publicidade sobre o consumidor é tão forte que seu banimento está previsto no Artigo 13 da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco, ratificado pelo Brasil há mais de dez anos.

A diretora-geral do Instituto Nacional do Câncer José de Alencar Gomes da Silva (Inca), Ana Cristina Pinho, destacou em 2017 que o tabagismo é a principal causa de mortes evitáveis no mundo. No Brasil, o prejuízo anual com o tabagismo chega R$ 56,9 bilhões -R$ 39,4 bilhões de gastos com despesas médicas e R$ 17,5 bilhões com custos indiretos ligados à perda de produtividade, causada por incapacitação de trabalhadores ou morte prematura.


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