Editorial

O Dia D de Lula

24 de Janeiro de 2018 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

O Brasil irá parar a partir das 8h30min de hoje para acompanhar o julgamento da apelação 50465129420164047000, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), condenado pelo juiz federal Sérgio Moro por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O caso será avaliado pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) em Porto Alegre, pelos desembargadores federais João Pedro Gebran Neto, Leandro Paulsen e Victor Luiz dos Santos Laus. Os três serão transportados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) até o local de trabalho, como forma de assegurar que se desloquem em tempo hábil, frente a um mar de mobilizações que tomou conta da capital gaúcha nos últimos dias.

E por mais que a Justiça insista em tratar o caso como mais uma etapa normal de seu trabalho, apesar da notoriedade do envolvido, o que está em jogo, também, é a eleição presidencial de outubro. Do resultado que sair hoje de Porto Alegre muitas definições serão tomadas para o pleito, que, diga-se, será um com a presença de Lula nas urnas e outro a partir de seu impedimento.

Na segunda-feira Cristiano Zanin, advogado do ex-presidente, entregou aos três desembargadores os memorais do caso - documentos com o resumo da apelação. Como o recurso tem cerca de 500 páginas, os memorais destacam os principais aspectos e argumentos dos defensores.

Também na segunda-feira, a poucas hora de seu julgamento, Lula manifestou-se em encontro na sede do Instituto que leva seu nome. "Esse julgamento não é contra mim e sim contra o nosso governo. O que eu quero é que façam um julgamento decente e, com base nas provas que eles tem, decretem a minha inocência", disse.
E defendeu mudanças: "Deram uma anestesia no povo. Agora estão acordando e percebendo que a cirurgia foi pior para eles. É preciso fazer uma nova cirurgia que é a eleição direta pra presidência e quem sabe uma nova constituinte. A Constituição já recebeu mais de 105 emendas, o que significa que a Constituição de 88 não existe mais".

O fato é que a partir de hoje, assim que o último desembargador apresentar seu voto, o Brasil terá o calendário eleitoral oficial e o calendário dos partidos, com as siglas dando início aos movimentos que vão definir quem irá concorrer dia 7 de outubro. E tendo ou não Lula como adversário.


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