Editorial

O novo herói do Brasil

22 de Janeiro de 2018 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

O Livro de Heróis e Heroínas da Pátria ganhou um novo nome: Luiz Gonzaga Pinto da Gama. De escravo a líder abolicionista, ele libertou mais de 500 pessoas por vias judiciais. Porém, por conta do preconceito racial, não conseguiu se formar em Direito, mas assistia às aulas como ouvinte e se tornou rábula, o que lhe permitiu exercer a profissão.

Sua história acabou reconhecida por duas leis, já em vigor. A 13.628/2018, resultante do PLC 220/2015, inscreve o nome de Luiz Gama no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria, enquanto a 13.629/2018, criada a partir do PLC 221/2015, o declara Patrono da Abolição da Escravidão do Brasil. Os dois projetos são de autoria do deputado Orlando Silva (PCdoB/SP).

De acordo com o Instituto Luiz Gama, o "advogado dos escravos" nasceu em 21 de junho de 1830 na Bahia. Era filho de um fidalgo português e de Luiza Mahin, negra livre que participou de diversas insurreições.
Em 1840 ele foi vendido como escravo pelo pai para pagar uma dívida de jogo. Levado ao Rio de Janeiro, foi comprado pelo alferes Antônio Pereira Cardoso e passou por diversas cidades de São Paulo até ser levado ao município de Lorena. Em 1847, aos 17 anos, Luiz Gama foi alfabetizado pelo estudante Antônio Rodrigues de Araújo, que havia se hospedado na fazenda de Antônio Pereira Cardoso. E aos 18 anos fugiu para São Paulo.

Em 1850 casou-se e tentou frequentar o Curso de Direito do Largo do São Francisco - hoje Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Enfrentou a hostilidade de professores e alunos, mas persistiu como ouvinte das aulas. Não concluiu o curso, mas o conhecimento adquirido permitiu que atuasse na defesa jurídica dos negros.

Já na década de 1860 destacou-se como jornalista e colaborador de periódicos progressistas. Projetou-se na literatura em função de seus poemas, nos quais satirizava a aristocracia e os poderosos de seu tempo.
Em 1869 fundou com Rui Barbosa o Jornal Radical Paulistano e em 1880 foi líder da Mocidade Abolicionista e Republicana. Nos tribunais, usando de sua oratória e seus conhecimentos jurídicos, conseguiu libertar mais de 500 escravos, embora algumas estimativas apontem mil. As causas eram diversas e muitas envolviam negros que podiam pagar cartas de alforria, mas eram impedidos por seus senhores. Luiz Gama ganhou notoriedade ainda ao defender que ao matar seu senhor, um escravo agia em legítima defesa. (Com informações do Instituto Luiz Gama)


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