Editorial

Crescimento salarial desacelera

30 de Novembro de -0001 - 00h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

O crescimento dos salários em todo o mundo desacelerou para o menor nível em quatro anos. Passou de uma alta de 2,5% em 2012 para 1,7% em 2015, de acordo com o Relatório Global sobre Salários 2016-2017, publicado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). E embora os dados desse ano não estejam consolidados, o cenário não deve ser muito diferente, frente ao baixo desenvolvimento global.

Mesmo a recuperação dos salários em algumas economias fortes no ano passado - como os Estados Unidos e a Alemanha - não foi suficiente para compensar a queda nas nações emergentes e em desenvolvimento, especialmente na América Latina e no leste europeu.

De acordo com o documento, sem considerar a China, onde o crescimento salarial foi mais rápido, o avanço dos salários globais passou de 1,6% em 2012 para 0,9% no ano passado.

Em grande parte do período imediatamente posterior à crise financeira de 2008-2009, o crescimento dos salários mundiais foi impulsionado por um avanço forte nos países e nas regiões em desenvolvimento. Mais recentemente, no entanto, esta tendência se desacelerou ou se reverteu.

Segundo informações divulgadas pelo site da ONU Brasil, entre os países emergentes e em desenvolvimento do G-20, o crescimento dos salários reais passou de 6,6% em 2012 para 2,5% em 2015. Por outro lado, o crescimento dos salários entre os países desenvolvidos do G-20 passou de 0,2% em 2012 para 1,7% em 2015, o índice mais alto dos últimos dez anos. Em 2015, os salários cresceram 2,2% nos Estados Unidos, 1,5% no Norte, Sul e Oeste da Europa, e 1,9% nos países da União Europeia.

O Brasil não ficou imune ao fenômeno. Informações divulgadas em setembro deste ano pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e com dados do Ministério do Trabalho e Emprego indicaram que mais da metade dos reajustes salariais (51,8%) negociados em agosto fecharam abaixo da inflação dos 12 meses anteriores, tendo como base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), de 9,6%.

A desigualdade salarial é outro problema e mostra-se mais acentuada para as mulheres. Embora a diferença geral por hora entre homens e mulheres na Europa seja de cerca de 20%, a diferença entre ambos no grupo dos 1% de trabalhadores mais bem pagos chega a cerca de 45%. Já entre os que ocupam cargos de diretores executivos e estão entre o 1% de trabalhadores mais bem pagos, a diferença salarial entre homens e mulheres passa de 50%.


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