Artigo

Um andarilho chamado Francisco

17 de Janeiro de 2018 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Manoel Jesus
educador

Quando o papa Francisco tomar sua maleta e embarcar rumo ao Chile e ao Peru, esta semana, ele sabe que nem tudo serão flores. Ao contrário, ao passar por sobre sua terra, a Argentina, pedirá que seus compatriotas rezem por ele a fim de que possa cumprir a missão de ser referência na concretização de valores humanos e espirituais.

Uma das manchetes dos jornais é “Francisco volta à América Latina, mas evita a Argentina”. Os argentinos o aguardam e, num futuro próximo, irão recebê-lo. Mas também, o papa sabe que a manipulação política e midiática será grande - como aconteceu no Brasil - e agora mais calejado quer, se não evitar, ao menos minimizar.

Em todas as terras por onde passou apelou à reconciliação, paz e diálogo, não se esquivando de ser - ele mesmo e a igreja - como citou um de seus analistas, “partidário da cultura do encontro, do diálogo, de buscar os pontos em comum para trabalhar no longo prazo em benefício da comunidade”.

Francisco mostrou ter clara a sua missão universal. Em cinco oportunidades, com bispos de sua pátria, disse que Deus vai indicar o momento de voltar não por nostalgia, mas quando as instituições estiverem amadurecidas e sirva como fator que une, gera condições de diálogo e de consenso.

Às vezes cansado, mas sem perder o jeito simples de sorrir, lembra um dos mais simpáticos personagens da literatura mundial, o Pequeno Príncipe. Depois de deixar seu planeta, enfrentar dificuldades, sabia que, em algum momento, seria preciso enfrentar a própria História. A Rosa que ficou dava sentido em não desanimar.

Francisco também fez uma longa viagem. Por estradas que não levam às estrelas, mas sim às terras dos homens, onde vislumbrou muito de bondade. Mas também que, em suas próprias fileiras - por vaidade, cobiça, ânsia pelo poder, despreparo - encontrou quem impeça o renascer da esperança.

Um andarilho amparado pela oração de homens e mulheres de boa vontade, tentando encontrar socorro para marginalizados (nesta viagem, a questão indigenista). Precisa de um Pequeno Príncipe que lhe estenda a mão e murmure: “há um longo caminho até voltarmos para casa. Mas vale a pena. Você vai ver, há uma rosa à sua espera!”


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