Artigo

Antibullying: as próprias crianças

14 de Janeiro de 2018 - 16h04 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Paulo Rosa, Hospital Espírita, prosasousa@gmail.com

Bullying choca porque obriga a ver impensáveis ações destrutivas tão cedo instaladas. Criança assediando criança, como assim? E, para piorar, a criança contra si mesma: automutilações, suicídios. Infância não é moleza, como se sabe, e o ódio, a desconfiança, antecedem o amor, alertou-nos o Dr. Freud. Aí temos base para começar a estudar o intrincado assunto.

No teatro do bullying há quatro tipos de atores, dois, ativos: os que aplicam a violência e os que, ativamente, a recebem. O terceiro grupo é dos que apenas presenciam, observam, e são "o oxigênio do bullying". O quarto, os adultos ao redor, omissos ou não. As quatro variedades de ação precisam de estudo simultâneo.

Não é novidade que o objeto do bullying seja alguém visto como o mais frágil física e/ou emocionalmente. Em estudos antecedentes, sobre síndrome da criança espancada, com fraturas múltiplas, dá-se o mesmo humano e trágico fenômeno, o escolhido é sempre o menorzinho, o bebê, o indefeso. O espancador, na maioria, é a mãe. Imagine-se que tragédias no ambiente transcorrerão para que se dê tal desastre.

As pesquisas sobre bullying mostram que a agressividade nos é inerente e que precisamos de grandes esforços para evitar que a violência de pensamento - inescapável - não atinja o nível da ação. Por sorte, algo pode ser feito.

Em São Paulo, desde 2015, num projeto em que está envolvida a Unicamp, um grupo de escolas públicas e privadas propõe ações com equipes de três ou quatro alunos por sala, escolhidos pelos colegas, mediante critério de confiabilidade, votam em quem contariam um segredo. Esses grupos recebem treinamento, assim como os professores, e o objetivo é bem exigente: mudar a cultura da escola, sabendo-se que as culturas não gostam de mudanças. Com a participação direta das crianças, "as pesquisas mostram que a intervenção dos alunos é 75% mais eficaz do que a de um adulto... quando um aluno fala: "para, a pessoa não está gostando", o agressor tende a ouvir", relata um participante.

O melhor antibullying: as mesmas crianças. Em Pelotas, ainda não temos projeto assim.


Comentários

Diário Popular - Todos os direitos reservados