Artigo

A pizza, a cidade e a lei da oferta e da procura

12 de Janeiro de 2018 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

“O comportamento atípico do pelotense me surpreendeu”. Foi assim, que neste mesmo veículo, o proprietário da franquia da Pizza Hut em Pelotas, cujas atividades foram encerradas, lamentou a falta de êxito do seu empreendimento. É possível que haja, de fato, algo incomum, não identificado previamente nas análises de viabilidade do projeto, nas preferências do consumidor pelotense. No entanto, antes de acatar tal hipótese como adequada, levantamos outra. Não foi apenas a Pizza Hut que encerrou suas atividades nos últimos anos no setor de serviços de alimentação. Recordamos dos restaurantes Gaudi, La Cabaña, Mays, Aki na Praia (do Shopping), Seu Boteco, Jhonnie Jack, Spoleto, fora outros.

A desigualdade de renda e o baixo nível de salários - consequência da baixa produtividade da mão de obra - desestimulam a demanda por produtos caros ou com substitutos próximos a preços inferiores. Sem entrar no mérito padrão e qualidade, a avenida Bento Gonçalves está repleta de pizzarias concorrentes a preços mais baixos. Pela ótica da produção, a famosa oferta, Pelotas tem aluguéis muito elevados (a cidade necessita de mais dados sobre o seu mercado imobiliário, mas este é outro assunto), cujo resultado imediato é o de tornar mais cara a prestação de qualquer serviço. Assim, a combinação entre desigualdade (e baixos salários), freando a demanda, com aluguéis elevados, impondo restrições à oferta, exige muita qualidade e assertividade do empreendimento para obter sucesso.

Infelizmente, o mercado consumidor nunca está melhor com menos opções. Sabemos bem que quanto maior o número de empresas menores são os preços, mais são as opções e melhor é a qualidade dos produtos. O bom, barato e abundante deixa consumidores mais satisfeitos. Pelotas perdeu nesta. Mesmo que você não goste de pizza, franqueada ou não, perdeu também. Ainda bem que são diversas as opções de lanche, possivelmente reflexo do tal comportamento atípico do consumidor pelotense. Mas, no caso de Pelotas, não seria típico?


Comentários

Diário Popular - Todos os direitos reservados