Editorial

Sonhos e expectativa

12 de Janeiro de 2018 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Os pescadores da Colônia Z-3 e das outras colônias espalhadas pela Zona Sul olham com desconfiança para a Lagoa dos Patos. Ela não está com o seu nível alto, apresenta sinais de salinização e registra pouca chuva em seu estuário. Após quatro anos sem safra do camarão, os trabalhadores não arriscam que 2018 possa ser diferente, embora o cenário mostre-se favorável. Seguram-se na esperança.

Na última reportagem publicada pelo Diário Popular, há poucos dias, o jornal mostrou que o quadro pode devolver à Lagoa o crustáceo, considerado ouro para as famílias que vivem da pesca. O mês de dezembro, por exemplo, chegou ao fim como o mais seco desde 2013 no Rio Grande do Sul. Além disso, janeiro está sob influencia do La Niña e também promete chuvas abaixo da média. Nessa reta final antes da abertura da safra, portanto, é torcer para que o céu literalmente ajude.

Em comum, além da torcida, os pescadores acumulam dívidas difíceis de serem saldadas, afinal, como pagar empréstimos bancários se praticamente não há pescado para ser comercializado desde 2014?

E se realmente houver motivo para voltar à água, há outro problema, lembrou o presidente do Sindicato dos Pescadores da Colônia Z-3, Nilmar da Conceição: “Os apetrechos estão parados. Para poder trabalhar, muita gente vai ter que investir em material”. Ou seja, buscar recursos - contrair mais dívidas - em algum lugar.

O fato é que a profissão de pescador deixou de ser atraente às novas gerações das colônias, onde as próprias famílias fazem questão de encaminhar seus filhos a um futuro mais tranquilo, distante das dificuldades impostas por cenários incontroláveis pelo homem. E muitos adultos, cansados de tantas perdas, também têm optado pelo mesmo caminho e trocado de profissão.

A safra de 2018, já adiantou a Universidade Federal do Rio Grande (Furg), não chegará perto da média histórica de captura, de três mil toneladas, mas deve acontecer. Até a abertura, em 1º de fevereiro, como disse um pescador, é torcer para que não faça nem sereno.


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