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Contrabando bate recorde

03 de Janeiro de 2018 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Luciano Barros
Presidente do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras

Em 2017 o Brasil conquistou mais um triste recorde: se tornou o maior mercado mundial de cigarros ilegais, que hoje respondem por cerca de 48% de todos os cigarros vendidos. Há apenas seis anos o volume total deste mercado girava em torno de 20%. Nenhum outro setor da economia, legal ou ilegal, apresentou crescimento semelhante no mesmo espaço de tempo.

Entre os principais motivadores deste crescimento está o exagero na dosagem de medidas que tinham como objetivo reduzir o consumo de cigarros no Brasil, mas que tiveram o efeito perverso de estimular o crescimento do mercado ilegal. O aumento de impostos promovido em anos recentes criou o cenário perfeito para a entrada de organizações criminosas neste mercado, que chega a ser tão ou mais lucrativo do que o tráfico de drogas, mas com riscos infinitamente menores, já que as penas para quem for flagrado contrabandeando cigarros são muito curtas.

O Brasil já viveu momentos semelhantes no passado, e conseguiu solucionar o problema. Entre os anos 1980 e 1990 a única forma de adquirir um computador moderno a preços acessíveis era buscar o mercado informal, na forma dos famosos “PCs Frankenstein”, montados por empresas que traziam ilegalmente os componentes do Paraguai.

Um estudo do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (Idesf) mostra que mudanças na política tributária do setor promoveram a redução no volume de computadores contrabandeados apreendidos ao mesmo tempo em que expandiram a produção e a comercialização de produtos legais no Brasil.

O cigarro passa hoje por um momento semelhante. Com impostos que podem chegar a até 80% em alguns estados, os fabricantes brasileiros têm de conviver com o Paraguai, país que taxa o setor em apenas 16%.

Precisamos nos livrar do problema do contrabando, não só de cigarros, mas em todas as suas frentes. O Brasil que nós queremos para o futuro não pode mais conviver com esta realidade que prejudica a saúde dos brasileiros, retira recursos financeiros dos governos, contribui para a escalada na violência e estimula o desemprego no país. É hora de agir!


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