Editorial

Hora de redobrar a atenção ao Aedes

30 de Dezembro de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

O verão chega com um alerta aos brasileiros. É hora de aumentar a prevenção ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. Com as chuvas rápidas e muitas vezes torrenciais, o acúmulo de água favorece ao desenvolvimento de larvas em criadouros ao ar livre e nos imóveis.

O que todos devem ter em mente é a rapidez com que o ciclo de reprodução do mosquito se fecha. Do ovo à forma adulta são necessários apenas de cinco a dez dias. Assim, qualquer água acumulada em vasos, ralos, garrafas, lixeiras e pneus, ou em piscinas sem tratamento, é suficiente para potencializar o risco. A quem vai viajar, o recomendado é checar antes essas situações em casa ou no trabalho.

Mesmo com um cenário favorável nos últimos meses no Rio Grande do Sul _ o estado permaneceu quase um ano sem registrar dengue autóctone, quando a doença é contraída dentro do território -, não se deve diminuir a atenção. Os últimos dois casos autóctones foram registrados em São Gabriel e Sant'Ana do Livramento, a menor incidência da doença na série histórica gaúcha.

Já o Ministério da Saúde destaca outra iniciativa importante: o Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa). Chamado de Mapa da Dengue, é um instrumento fundamental ao controle do mosquito, pois a partir dessas informações o município consegue identificar os bairros onde estão concentrados os focos de reprodução, bem como o tipo de depósito onde as larvas são encontradas.
O último LIRAa foi atualizado em 4 dezembro e apontou 4.552 cidades do país que fizeram o levantamento. Destas, 2.833 estavam com índices satisfatórios, com menos de 1% das residências com larvas do mosquito em recipientes com água parada. Encontravam-se em alerta 1.310 municípios, com índice de infestação de mosquitos nos imóveis entre 1% a 3,9% e 409 em risco, com mais de 4% das residências com infestação.

Atualmente a Fiocruz desenvolve o projeto Eliminar a Dengue: Desafio Brasil (ED Brasil), a partir do lançamento no meio ambiente do Aedes aegypti com Wolbachia, bactéria que existe naturalmente em mais de 60% dos insetos e que, ao ser inoculada, reduz a transmissão da dengue, da zika e do chikungunya pelo mosquito. O programa é uma estratégia global de longo prazo e, se for bem sucedida, irá beneficiará um número estimado de 2,5 bilhões de pessoas, projeta a Fiocruz.

E mesmo com ações governamentais eficientes, a população continua sendo a principal aliada na prevenção. Deve partir de cada um a iniciativa de acabar com os pontos que podem se transformar em criadouros. Se todos fizerem sua sua parte, o verão poderá ser mais tranquilo.


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