Artigo

Um fio de esperança

05 de Dezembro de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Manoel Jesus, educador

Preparação para o Natal é momento adequado para se falar da vida, mas, porque não, também da morte... O Cristianismo vê na lembrança do Menino Jesus a encarnação divina e as condições necessárias para alimentar a esperança que se renova, alcança novo sentido, mas também a certeza de que viver é passagem.
Para alguns, existir é apenas o momento que antecede a morte. É uma ideia muito pobre de um tempo que, se bem aproveitado, pode ser um lampejo da Eternidade. Não é só uma questão de religião, mas da atitude diante do inevitável. A capacidade de se importar com a finitude sem que se definhe amedrontado com esta perspectiva.

Não há receitas prontas. E ainda se diferencia a vivência de quem está próximo do fim da perda de um ente querido, em situação inesperada. Uma pessoa com câncer indo para uma cirurgia confia na equipe médica. Mas sente que precisa entregar a alma a Deus. O despertar pós-cirúrgico é a chance de uma nova vida.
Daqueles que amamos em situação de finitude, a morte se torna companheira. Depois de uma certa idade - ou na fragilidade de uma doença que se estende - é certo que, mais dia menos dia, vai se extinguir, sendo necessário manter a certeza de que todo o possível foi feito para que a chama da vida se apague em paz.
Um acidente de carro, uma doença em jovem ou criança, a perda de um ser que ainda não viu a luz da vida, deixam as marcas da dor e da angústia. Nossa compreensão não alcança tal mistério. A finitude de alguém que julgamos ter toda uma vida pela frente não encontra explicação lógica.

Nestes casos, o mais importante não é o que se diz, mas o que se faz. Palavras, na maior parte das vezes, soam vazias, porque tentativas de ocupar o incômodo de um silêncio que poderia ser solidário. Conselhos caem na vala comum e podem, até, causar revolta e mais tristeza.

A fé não tem todas as explicações que, muitas vezes, se cobra. É exatamente "fé", não certezas absolutas. Dizer o que pode acontecer é temerário. Crentes e não-crentes acreditam que se pode envolver as pessoas que sofrem com energia positiva - a oração, por exemplo. Mas o melhor remédio continua sendo o tempo.
Temos mecanismos naturais para reencontrar o sentido da vida. Na perda, atordoados, reviver a doença ou continuar sofrendo com a ausência afunda num mar de incertezas. Os que ficam merecem o esforço de continuar por um longo tempo com as marcas da saudade. Sem perder a fé que não deixa morrer um singelo fio de esperança.


Comentários

Diário Popular - Todos os direitos reservados