Artigo

Pernas de tango

11 de Novembro de 2017 - 08h34 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Sergio Cruz Lima

Nascido em Castellaneta, Itália, em 1895, Rodolfo Affonso Raffaello Pietro Filibert Guglielmi di Valentina D´Antonguiolla emigra para os Estados Unidos aos 18 anos. Em si porta o fervente sangue latino e um propósito imenso de enriquecer, ideal tão comum aos jovens imigrantes que “fazem” a América. Em verdade, ele não tem perspectivas reais, mas tem, isso sim, muitas esperanças. Após empregar-se como lavador de pratos, office boy, garçom, copeiro e jardineiro, ingressa no mundo do espetáculo como bailarino de vaudevilles. Em razão do baixo salário, torna-se taxi danser e acompanhante. Por ter dançado - e bem! - em várias casas de diversão é convidado a fazer testes para o cinema. Aprovado, em 1918 transfere residência para Hollywood e começa a aparecer no cinema ao interpretar papéis secundários.

A grande oportunidade de Rodolfo Valentino ocorre em 1921, ano em que é escolhido para interpretar o papel de Júlio no filme Os quatro cavaleiros do Apocalipse, baseado no romance homônimo do escritor Vicente Blasco Ibañez. O filme alcança tremendo sucesso. A cena do tango, que lhe valerá o apelido de “pernas de tango”, integra toda uma gestualidade, desenvoltura e versatilidade que Valentino aprendera em Paris. A segurança com que desenvolve a cena cativa a todos e a câmera, assim como as mulheres são atraídas por ele, seguindo-o por toda parte. Algo de novo surgira no mundo do cinema mudo! Além de atrair para si as luzes, Valentino vale-se de artifícios, até então considerados femininos, como a sensualidade e a delicadeza de gestos. Sua figura enxuta e apaixonada - 1,80 metro de puro charme! -, destila todas as essências do latin lover. Viril, sensual, elegante, Rodolfo Valentino torna-se o símbolo sexual do cinema. Mas o exotismo de seus personagens logo contagia sua vida particular e suas aparições públicas são embebidas de um robusto misticismo orquestrado pelos estúdios cinematográficos que o acolhem, tudo fomentado pela vaidade pessoal que o alimenta.

Sua morte aos 31 anos de idade, em Nova York, após a perfuração de uma úlcera tardiamente diagnosticada, ocorre quando o grande e prestigiado ator encontra-se no auge da carreira. A notícia comove o mundo, provoca inúmeras manifestações públicas e não poucas tentativas de suicídio entre seu imenso fã-clube. Valentino torna-se um mito. E mitos não morrem. Eles permanecem, imortais, vivos, presentes enquanto alguém deles se lembrar.


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