Editorial

Mães cuidam dos filhos até os três anos

10 de Novembro de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Pesquisa realizada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, em parceria com o Ibope Inteligência, e lançada durante o 7º Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância, em Fortaleza, comprovou que na criação dos filhos, a desigualdade de gênero é uma marca das famílias brasileiras. Após realizar 991 entrevistas com pessoas em ambientes urbanos e rurais, o estudo apontou que, em 89% dos casos, são as mães as responsáveis pela criação dos filhos na faixa até três anos.

Considerando os dados do Censo de 2010 no país, o percentual é significativo, afinal, em 9,5 milhões de domicílios havia, pelo menos, uma criança com essa idade. Quando os pais respondem pelas crianças, o índice chega a 5% dos casos, o mesmo de cuidadores como avós, tios ou outras pessoas.

Ao realizar a pesquisa, a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal buscou mapear as necessidades e os interesses das famílias para o atendimento em educação dos menores da chamada primeiríssima infância e confirmou dados já conhecidos. Entre eles, o atendimento em 33% em creches _ cerca de 3,2 milhões.

Pesa nesse cenário, ainda, outra realidade para as mulheres: escolher entre os cuidados do filho e o trabalho quando não têm o apoio necessário do companheiro. E muitas acabam deixando para trás a carreira profissional.

E aqui outra equação precisa ser feita. Se por um lado o mercado abre-se cada vez mais à presença feminina _ seja através do próprio negócio ou de empregos com carteira assinada -, por outro ainda não oferece condições suficientes para ela, quando responsável pelo lar, administrar as duas atividades (em 2010, segundo o IBGE, 38,7% dos 57,3 milhões de domicílios registrados eram comandados por mulheres). O que parece ser um avanço para reduzir as desigualdades salariais e de gênero ainda é uma balança desequilibrada e favorável aos homens.

Quando os lares são estruturados sem a presença do marido ou companheiro, a sustentação dos dois ambientes fica ainda mais difícil às mulheres, a quem recai o papel de gerar a renda da família e, ao mesmo tempo, cuidar dos filhos sem se manter afastada a maior parte do tempo.

Por isso, se os governos pensam em políticas públicas de igualdade, devem considerar tais cenários de dificuldades e desafios, e propiciar a elas a segurança necessária ao que escolheram. (Com informações da Agência Brasil)


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