Editorial

A linha fixa tem prazo para terminar

09 de Novembro de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

O telefone fixo vive dias de abandono. Ao completar 140 anos de sua chegada ao Brasil (em 1877), pelas mãos do imperador Dom Pedro II - o aparelho foi fabricado nas oficinas da Western and Brazilian Telegraph Company, especialmente para o regente _, e embora ainda seja encontrado nos lares e nas empresas, é uma peça que acumula cada vez mais poeira e passa despercebido na rotina das casas ou do trabalho. São sinais de que seu fim está próximo.

O encerramento das operações da telefonia fixa no Brasil já desperta, aliás, prognósticos. Um deles foi feito pelo presidente da Telefônica Vivo, Eduardo Navarro. Durante sua participação no Workshop de Telecomunicações da Fiesp, em São Paulo, o empresário declarou que em oito anos _ 2025 _ as pessoas praticamente não farão mais uso do serviço. Será um desaparecimento, segundo ele, semelhante ao do fax e do telex, tecnologias desconhecidas para uma geração inteira.

"Hoje temos 44 milhões de linhas fixas, mas porque ainda vendemos telefonia fixa com a banda larga fixa. Se houver a desconexão, certamente, a telefonia fixa vai desabar no curto prazo", disse Navarro.

Os números da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) confirmam aquilo que parece certo. No mês de agosto, a telefonia fixa registrou 41.196.896 linhas em operação no país -17.106.890 para as autorizadas e 24.090.006 às concessionárias -, uma redução de 74.812 na comparação com julho.

Segundo o órgão, nos últimos 12 meses as empresas autorizadas apresentaram queda de 211.630 linhas (-1,22%) e as concessionárias um declínio de 1.037.590 (-4,13%).

O decréscimo está diretamente relacionado à popularização da telefonia móvel. Milhões de brasileiros já descobriram que não existe mais justificativa para manter um aparelho ligado a um fio e sobre um móvel. O fixo tornou-se obsoleto e foi perdendo terreno ao longo dos anos por uma tecnologia infinitamente mais útil às pessoas.

Para alguns consumidores, inclusive, os oitos anos previstos pelo presidente da Telefônica Vivo já chegaram. Para outros, esse tempo será menor, enquanto um terceiro grupo deve manter o aparelho em uso, até sumir de vez.


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