Análise

Entrelinhas

17 de Março de 2016 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Luiz Carlos Freitas, jornalista - lcfreitas55@gmail.com

O golpe dos lulopetistas
O lulopetismo praticou golpe de estado e assumiu o poder central da República. Depuseram a presidente Dilma Rousseff como se ela fosse objeto descartável, esbofetearam os 53 milhões de eleitores que a elegeram - Dilma Coração Valente tornou-se mera peça decorativa no Palácio do Planalto, agora tomado e dominado pelas hostes do petismo retrógrado. Ao exigir o cargo de ministro-chefe da Casa Civil, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não apenas desaloja a presidente do cargo. Também pisoteia na Constituição, dá o tiro de misericórdia no Partido dos Trabalhadores, comprova o desprezo do partido à ética e à moralidade. E mais: registra em cartório, sob o testemunho de milhões de brasileiros indignados, atestado de que o golpe esconde o temor de ser preso pela Operação Lava Jato. Na pele de ministro, Lula sai das mãos vigorosas e honradas do juiz Sérgio Moro e vai se abrigar nos braços amigos e carinhosos do Supremo Tribunal Federal. O ex-presidente, que rugia feito leão ferido, esbravejando contra "acusações infundadas", ao fim e ao cabo - constata-se - não passa de um gatinho assustado e medroso. Lula, agora presidente em terceiro mandato sem a legitimidade das urnas e sem um voto sequer, faz confissão inequívoca de culpa das acusações de corrupção e lavagem de dinheiro, admite que as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público (de São Paulo e federal) têm razão de ser. Pior: o lulopetismo - mestre na arte do ilusionismo e do charlatanismo - se utiliza da "mídia golpista" para tentar ludibriar a opinião pública. Os porta-vozes do autogolpe, com sua retórica empolada - apesar de soar hilária e mentirosa - afirmam e reafirmam, por exemplo: "Temos um ministro chefe da Casa Civil com larga experiência para ajudar o Brasil. A decisão de Lula na Casa Civil decorre do compromisso com o país, única e exclusivamente imbuído do propósito de ajudar o país a sair da crise. A ida de Lula para o ministério não atrapalhará as investigações da Lava Jato. Foi no mandato de Lula que a Procuradoria-Geral da República ganhou autonomia". Parece piada pronta, talk-show encomendado por plateia desprovida de senso de humor, porém obesa de senso de oportunismo. Para fechar o festival de mentiras e ilusionismo: presidente do PT, Rui Falcão, alardeou que Lula é o "ministro da esperança..." Menos mal que a Justiça é cega, mas os juízes não são bobos, tampouco admitem serem feitos de bobos. A lei e a justiça prevalecerão. Ou o povo tomará para si a tarefa de expulsar os corruptos, maus políticos e péssimos governantes da cena política brasileira. Não vai ter golpe! A sociedade brasileira não engolirá este sapo - com o perdão pelo sarcasmo.

Anedota
"O ex-presidente Lula terá os poderes necessários para ajudar o país." Da presidente Dilma "deposta" Rousseff ao ser questionada sobre a hipótese de o petista se tornar superministro e ter superpoderes. "Minha relação com o Lula não é de poderes ou superpoderes. É uma sólida relação de quem constrói um projeto junto." Qual projeto? Ela não disse. Nem precisava.

Quiz
Ministro da Educação, Aloizio Mercadante (PT), tem condições morais para continuar comandando a "Pátria Educadora"? Lula - o todo-poderoso - o deixará no cargo, apesar das vergonhosas explicações no episódio em que - a mando do poder central - tentou comprar o silêncio de Delcídio do Amaral, ex-líder do PT no Senado?

Tucano
Senador Aécio Neves (PSDB) deve explicações aos brasileiros. Concretas, plausíveis. Do contrário, cairá na vala comum dos que, acusados de corrupção, ficam dando desculpas esfarrapadas e justificativas anêmicas. As suspeitas que recaem sobre o tucano são fortes. Se culpado, dever arcar com as consequências - política e judiciais.

Minirreforma
Investido da prerrogativa de "dono do pedaço", Lula vai promover minirreforma ministerial, com o aval da presidente Dilma faz-de-conta-Rousseff. A intenção é fazer o governo dar guinada à esquerda, reassumindo o regime populista e perdulário que levou o país à crise atual. O PT voltou à carga: quer eternizar-se no poder - se o povo deixar...

Blindagem
Lideranças da oposição entram com ações populares contestando a nomeação do ex-presidente Lula como ministro "manda-chuva". E acusam Dilma de tentar "blindar" o petista. O argumento jurídico: a nomeação de Lula tem o objetivo de atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato, tentando interferir nas ações do Judiciário.

 


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