Editorial

Somos todos Chapecoense

30 de Novembro de -0001 - 00h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A tragédia com a Associação Chapecoense de Futebol - a Chape -, time fundado em 1973 que vivia o principal momento de sua história e tinha plenas condições de conquistar o título da Copa Sul-Americana, aproximou Pelotas de Chapecó (SC) na terça-feira, em um misto de tristeza e solidariedade.

O jornalista Giovane Klein, uma das vítimas, deixou marcas profundas por aqui. Considerado um grande amigo pelos colegas da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), pontuou também sua passagem profissional pela competência com que desempenhava a atividade e crescia enquanto comunicador social.

Já o jogador Josimar era mais um jovem pelotense que deixou a região para trilhar com sucesso os caminhos do futebol, em times nacionais que reconheceram nele um atleta raro. Josimar transpirava em campo dedicação inesgotável, entregava-se à camisa que vestia até o último segundo das partidas. Um gigante, pela estatura e o esforço.

Impossível também não lembrar do acidente com o ônibus do Brasil em 2009 (em proporção muito menor), que enlutou Pelotas e comoveu torcedores xavantes em várias partes do país. A Arena Condá, estádio da Chapecoense, repetiu a imagem da peregrinação feita por milhares de pessoas ao Bento Freitas há sete anos, numa caminhada para tentar compreender a dimensão da tragédia.

O futebol é um esporte insuperável pela paixão que desperta nas pessoas. Quase um integrante da família. Tratado com carinho, amor, respeito e, algumas vezes, com mágoas que resultam do desempenho em campo. Mas nunca abandonado e sempre resgatado. Por isso, quando acidentes como o da Chapecoense acontecem, o país inteiro sente o impacto da perda. É como se fosse com qualquer time. A dor, por isso, é de todos.

Mais ainda por se tratar de profissionais que, até ontem, desempenhavam um trabalho de destaque no Brasil e já chamavam a atenção do exterior. Em campo, vencedores, mas também filhos, maridos, pais e amigos de intensas jornadas. O verde da Chapecoense transporta pingos de lágrimas. E o que se pode desejar nesse momento é força às famílias das vítimas e à cidade catarinense. Mesmo sem deixar o vestiário para a partida decisiva - a mais importante da carreira de muitos deles -, o grupo já era campeão. Em campo e na vida.


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