Editorial

A UFPel em defesa de uma causa

20 de Outubro de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A comunidade deve aplaudir. Mais do que isso, prestar apoio à iniciativa da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), de defender a transformação do Pontal da Barra _ de seu início até a várzea do canal Santa Bárbara _ em uma unidade de conservação ambiental.

Além de promover pesquisas no local, a instituição decidiu se posicionar firmemente em relação ao terreno palco de polêmicas nos últimos anos - como ações judiciais -, principalmente quanto à degradação promovida pelo homem. Age, assim, com a grandeza e a importância que  exerce no terceiro maior município gaúcho. Além do papel de formar profissionais, posiciona-se por uma causa que deveria ser de todos. Toma para si, como disse a reportagem do Diário Popular na edição de ontem, a responsabilidade de construir uma proposta que leve à implantação da unidade de conservação.

O espaço em questão, uma Área de Preservação Permanente (APP), é o habitat de, nada menos, 120 espécies de aves e plantas raras. E descobertas atuais. A mais recente chama-se Ophiodes enso, um lagarto cobra-de-vidro do gênero Ophiodes. Recém-catalogado, o réptil está criticamente em perigo, segundo os estudiosos que o identificaram, da Universidade Federal do Rio Grande (Furg).

O debate sobre o Pontal da Barra atraiu até mesmo o reitor Pedro Curi Hallal, que abriu o encontro com a presença de ambientalistas, no Campus Porto (Anglo). Dos ouvidos pelo Jornal, veio do professor Giovani Maurício, docente de Gestão Ambiental, um dos comentários mais contundentes. Segundo ele, trata-se de uma inércia antiga em relação a uma área que tem espécies endêmicas do Pampa e do bioma da Mata Atlântica. Na área alagadiça vivem exemplares em extinção, como a açucena-do-banhado, alvo de estudos.

Não será, claro, uma tarefa fácil até se alcançar. O começo da discussão, porém, é o primeiro passo. E com a participação de especialistas da academia, a expectativa de sucesso do projeto aumenta. A conquista, entretanto, só chegará com a participação de mais representantes, entre eles o Poder Público _ o tema passa pela vontade política, sim -, e da própria comunidade.


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