Editorial

A praga da corrupção

25 de Fevereiro de 2017 - 08h25 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A corrupção parece não ter freios no país. Atinge todas as áreas. E, é bem verdade, o cotidiano mais banal, como não informar a atendente, por exemplo, que o troco dado foi a mais. Quando atinge a esfera do Poder Público, no entanto, a corrupção assume sua cara mais nefasta, porque afeta diretamente a população mais necessitada. Em São Paulo, por exemplo, o Ministério Público Estadual (MPE) denunciou 11 pessoas à Justiça - todas elas ligadas à Fundação Butantan, um braço financeiro do instituto de mesmo nome, que se dedica a pesquisas e produção de vacinas. 

De acordo com o MPE, de 2005 a 2008, a quantia desviada chegou a R$ 33,48 milhões - R$ 55 milhões, em valores atualizados, segundo a Promotoria. São investigados, no total, 340 furtos. Nenhum dos acusados teve a identidade revelada. A descoberta sobre o rombo foi possível com base na quebra de sigilo bancário dos acusados, autorizadas judicialmente. "O gerente gozava de especial confiança da diretoria da instituição. Tinha em seu poder a senha das contas bancárias da Fundação", afirmou Nathan Glina, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do MPE.

A investigação revela que o dinheiro desviado era transferido diretamente para contas do ex-gerente. A grande movimentação de valores - um total de R$ 24 milhões -, despertou a atenção dos investigadores.
Com o dinheiro furtado, de acordo com a Promotoria, o ex-funcionário adquiriu imóveis e uma motocicleta de R$ 107 mil, paga à vista. Os outros dez denunciados movimentaram o restante do montante furtado. Assim que a investigação foi aberta, o gerente acabou demitido. Interrogado, ele confessou a sucessão de furtos. Declarou que fazia "a mando" de uma pessoa que ele não identificou porque "estava sendo ameaçado". Os promotores também incluíram na denúncia o crime de uso de documento falso para a abertura fraudulenta de conta bancária "para operacionalizar maior volume de furtos".

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo afirmou, em nota oficial, que o Instituto Butantan ajudou nas investigações e substituiu, à época, a presidência e a superintendência da Fundação.

"A nova gestão do Instituto e a própria Secretaria continuarão auxiliando nas investigações, tanto de problemas ocorridos no passado quanto dos de agora, em que uma auditoria encontrou uma série de irregularidades de gestão na Fundação e no Instituto, ocorridas entre 2011 e 2015", informou a nota oficial da Fundação. Neste mês, o então diretor-presidente da entidade, André Franco Montoro Filho, renunciou ao cargo. Ele apontou irregularidades no órgão que administrava.

 


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