Editorial

Outro olhar sobre o cigarro eletrônico

15 de Dezembro de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Apontado como alternativa para abandonar o hábito de fumar, o cigarro eletrônico recebeu críticas da Associação Médica Brasileira (AMB), que advertiu para o efeito oposto ao que os fabricantes divulgam. A ajuda imaginada pelas pessoas, na verdade, pode ser a porta de entrada ao hábito nada saudável.

Integrante da Comissão de Combate ao Tabagismo da AMB, o pneumologista Alberto José de Araújo fez o alerta durante audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família, da Câmara dos Deputados, realizada para discutir o impacto dos cigarros eletrônicos na saúde.

De acordo com o especialista, esses equipamentos causam dependência e não são inofensivos. "A indústria está buscando meios de manter o seu negócio com discursos de reduzir riscos, mas, na verdade, visa manter o lucro e continuar disponibilizando nicotina. Do ponto de vista do conhecimento científico, esse produto é uma porta de entrada para o tabagismo", declarou.

Embora a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tenha proibido a comercialização, importação e propaganda dos cigarros eletrônicos há quase uma década, eles continuam sendo vendidos facilmente pela internet.

O representante da Anvisa, André Luiz Oliveira, lembrou que esses cigarros têm componentes cancerígenos, como o formaldeído, em concentração até 15 vezes maior do que a dos cigarros comuns.

Já a representante do programa de tratamento ao tabagismo do Instituto do Coração da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Stella Regina Martins, cobrou auxílio do Estado na qualificação dos profissionais e na comunicação com a sociedade. Mesma linha seguida pela deputada Professora Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO), proponente do debate. Segundo ela, falta pesquisa sobre o assunto, uma falha do governo brasileiro.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) lembra que o tabagismo é reconhecido como uma doença epidêmica. Provoca dependência física, psicológica e comportamental semelhante ao que ocorre com o uso de outras drogas como álcool, cocaína e heroína. A dependência obriga os fumantes a inalarem mais de 4.720 substâncias tóxicas, como monóxido de carbono, amônia, cetonas, formaldeído, acetaldeído, acroleína, além de 43 substâncias cancerígenas, entre elas arsênio, níquel, benzopireno, cádmio, chumbo, resíduos de agrotóxicos e substâncias radioativas. (Com informações da Agência Câmara Notícias)


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