Estilo
Coluna

Porto Memória

Confira a coluna do professor Guilherme P. Almeida deste sábado

10 de Março de 2018 - 06h00 Corrigir A + A -

Por: Guilherme P. Almeida
colunaportomemoria@gmail.com

imagem - texto 42

• Thomas Aquinas Schoenaers foi um padre belga integrante da Ordem Premonstratense (Ordem de São Norberto), designado pela Abadia de Averbode para missão na cidade de Jaguarão entre 1901 e 1904. Sua experiência foi contada a colegas e superiores em uma série de 59 cartas, da qual foi extraído o trecho a seguir, relativo a uma de suas passagens por Pelotas, com impressões de seu porto:

• “No outro dia, quando o sol já nos espreitava pela escotilha do camarote e nos acordava, olhei para o exterior e constatei que o vapor estava imóvel, um pouco antes da grande ponte ferroviária sobre o rio São Gonçalo [...]. O [vapor] Juncal havia passado a noite navegando na [Lagoa] Mirim e já se encontrava sobre o rio São Gonçalo, [...] onde ancorou até que o trem a cruzasse e fosse autorizado ao vapor a, sob ela, cruzar. Tão logo chegou um guarda grisalho que fez sinal positivo autorizando a passagem. Devagar e cautelosamente o Juncal passa entre os pilares centrais para depois, alegremente, soltar seu apito, com toda a força, avisando à população de Pelotas a sua chegada. A cidade e seu porto, agora, estão a nossa frente, completamente mortos como um barco a vapor com as caldeiras já frias. São seis e meia da manhã e os pelotenses ainda dormem, tal qual sucederia se fosse na Bélgica. Ancorados no porto, um verdadeiro enxame de veleiros, todos próprios para navegação fluvial interna, e não há nenhum navio da Costeira ou do Lloyd Brasileiro que aqui aportam e que costumeiramente fazem o trajeto de Buenos Aires a Maceió e vice-versa. [...] O vapor atraca em Pelotas apenas por algumas horas, o tempo suficiente para descarregar couros e carregar cebolas”. (Trecho da 56ª carta, 1904)

Porto hoje

Travessia pela hidrovia
O Cruzeiro do Saber retomou as travessias pela hidrovia que liga Pelotas a Rio Grande. Sob o comando do capitão Lauro Barcellos, o barco-escola Flor do Mar fez as primeiras viagens, abrindo a programação de 2018. Por cerca de quatro horas embarcado, é possível vislumbrar a região por outro ângulo, desvendando os mais diferentes aspectos da hidrovia, desde sua riqueza ambiental até seu fundamental papel no desenvolvimento econômico e na promoção do bem-estar à comunidade. Segundo Lauro Barcellos, a permanência em um barco vai além das observações visuais: “Permite que possamos enxergar as coisas de um novo ângulo, favorecendo a compreensão sobre a importância da convivência harmônica com base no respeito mútuo, já que o cotidiano de uma tripulação está centrado na força do conjunto”, analisa. Desde maio de 2016 o Cruzeiro do Saber integra as ações de revitalização da orla portuária do Otroporto (antigo Porto das Artes), projeto liderado pela Sagres e a CMPC Celulose Riograndense. A agenda de atividades do ano está em fase de preparação e em breve novas datas serão anunciadas.

*Por Satolep Press

Comentários Comente

REDES SOCIAIS

Diário Popular - Todos os direitos reservados