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A vez de Del Toro

Diretor mexicano recebeu dois prêmios no Oscar por A forma da água

10 de Março de 2018 - 08h14 Corrigir A + A -

Por: Daniel Bydlowski 

Com Guillermo del Toro vencendo o seu primeiro Oscar de melhor diretor por A forma da água (ganhador também de melhor filme), há quem lembre o Oscar de 2007, quando Francis Ford Coppola, George Lucas e Steven Spielberg presentearam a estatueta ao seu amigo, Martin Scorsese, pelo longa Os infiltrados. Porém, neste novo cenário, seriam os diretores mexicanos Alfonso Cuaron e Alejandro Iñárritu, já ganhadores pela Academia, quem apresentariam o prêmio para o conterrâneo. 

Os três diretores, muitas vezes chamados de Los Três Amigos, não somente pelo fato de se conhecerem, mas pela sua nacionalidade comum, estão na vanguarda das produções de Hollywood e da tecnologia do cinema. Porém, talvez o aspecto mais comum nas obras do trio é que seus filmes, muito longe de se limitarem a um cinema particular, são universais, agradando desde o público em geral até circuitos mais independentes.

Guillermo del Toro não está interessado em criar histórias que sejam limitadas por uma cultura e sociedade específicas, mas sim na criação de enredos que exploram o ser humano em geral, mesmo que para isto ele utilize elementos das mais diversas culturas humanas. Em seu caso, é o sucesso do realismo mágico na América Latina que se faz presente em seus filmes.

O gênero já era percebido em seus primeiros filmes, como por exemplo em A espinha do diabo. A sinopse deste deixa claro que se trata do estilo, onde Carlos, um rapaz de 12 anos que vive durante a Guerra Civil Espanhola, é abandonado em um orfanato malcuidado. O garoto sofre violência pelos funcionários e pelas outras crianças até que o espírito de Santi, um menino que havia sido assassinado anteriormente, deixa a vida de Carlos ainda mais difícil.

As produções de Del Toro sempre possuem um viés realista e histórico que se vê inundado por magia e fantasia. No caso de A forma da água, Elisa, uma funcionária muda, trabalha em um laboratório secreto em meio à Guerra Fria. Ela, então, conhece uma criatura aquática que é mantida prisioneira neste lugar, a fim de ser potencialmente usada como arma. Porém, Elisa começa a se afeiçoar pela criatura, o que dá ao filme o seu conflito principal.

A história de A forma da água faz do filme uma obra característica de Del Toro e do gênero do realismo mágico. A conquista de Los Três Amigos, e também de Del Toro, não é o aperfeiçoamento do cinema mexicano que chega ao nível tecnológico de Hollywood, mas sim o aperfeiçoamento do cinema universal que tem dentro de si características de certos gêneros muito desenvolvidos na América Latina.

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