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A cereja do bolo

10 de Março de 2018 - 06h00 Corrigir A + A -

Por: Lisiani Rotta

Há livros assim. Tão esperados que não podem ser lidos num momento qualquer. Merecem toda a nossa atenção.

O escritor espanhol Carlos Ruiz Zafón, um dos maiores autores contemporâneos, consegue, com a saga O cemitério dos livros esquecidos, nos manter hipnotizados do início ao fim em cada um dos quatro livros da série. A sombra do vento, O jogo do anjo, O prisioneiro do céu e O labirinto dos espíritos são tramas extraordinárias traduzidas para mais de 50 idiomas e responsáveis por tornar Zafón o escritor espanhol mais lido em todo o mundo, depois de Cervantes. Seu talento narrativo é impressionante. Encantador. Tanto quanto a história da gigantesca biblioteca que abriga livros abandonados pelo tempo, cenário comum a todos os livros da série. Aguardei o último, O labirinto dos espíritos, com uma ansiedade quase infantil. Corri para adquiri-lo assim que soube do lançamento. Apesar disso, não me permiti lê-lo nas férias de verão como eu inicialmente pretendia.

Este ano, mais do que os outros, os meus dias passaram num piscar de olhos. Eu mal conseguia me concentrar na vida real, tal a correria para fazer tudo o que eu me propus. Decidi então, reservá-lo como a uma sobremesa. Seria, entre os que separei para as férias, o último a ser lido. A cereja do bolo. Decisão acertadíssima. O labirinto dos espíritos superou as minhas expectativas.

O destino de Alicia Gris, uma investigadora talentosa, criada em orfanatos e educada nas ruas de Madri, nos anos 1950, cruza com o de Daniel Sempere, que vive em Barcelona, e busca explicações para a misteriosa morte da mãe, Isabella. Alicia trabalha nas sombras, lidando com casos que a polícia não pode resolver. Daniel investiga obsessivamente o provável assassino. O destino dos dois os conduz de volta ao passado, aos últimos dias de Isabella, à prisão de Montjuic, e a intrigas perigosas envolvendo pessoas capazes de tudo para manter enterrados antigos segredos. Uma história eletrizante, com um final surpreendente.

Um presente para os fãs da série. Porém, eu preciso adverti-los de alguns efeitos colaterais. Evite ler se tiver hóspedes em casa, crianças sob a sua responsabilidade, ou se estiver numa viagem a dois. Você falhará. Cada um dos livros o absorverá de tal forma, que não conseguirá pensar em nada que não seja a trama até que ela chegue ao final. Também não se espante se rolar uma depressãozinha, ao chegar à última página. Não se desespere! Lembre-se de que o livro é seu.

Pode reler cada linha e se deleitar com o talento indescritível de Zafón sempre que quiser. Há outros sintomas aos quais deve estar atento. Sabe quando a gente termina um livro desejando ser amiga do autor? Esta é a situação.

Os personagens são tão reais, tão humanos, que provocam a nossa empatia imediata. Também é inevitável a adoração pelo autor. Sugiro que compre logo os seus e aconselhe os seus amigos e familiares a fazerem o mesmo. Não são livros para se emprestar. Você vai querer ler e reler infinitamente. #superecomendo.

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