Estilo
Maria Alice Estrella

Do bem

03 de Março de 2018 - 06h00 Corrigir A + A -

Agradável a sensação que nos invade quando cruzamos com pessoas, que desejam um bom dia com um sorriso leve e autêntico. Alguma coisa acontece na alma da gente, nesses instantes, tal como a carícia da brisa que antecede a manhã. Envolve e afaga qualquer vestígio de preocupação, ou de tensão, ou de angústia.
Pessoas do bem que tem a habilidade de elevar "a moral da tropa" espargindo bom humor para todos os lados e por todos os poros.


Em meio a todos esses rostos contritos que cruzam conosco no cotidiano, vez ou outra, aparece um olhar brilhando pleno de uma luminosidade que vem sabe-se lá de onde e a esparge ao redor, tocando suavemente aos que não passam alheios ou esquivos.


Toques de ternura imprescindíveis de pessoas-anjos que, muitas vezes, se tornam despercebidos por entre a multidão absorta e cega ao que é bom. Também, pudera! Essa realidade angustiante sufoca em nós o que de melhor possuímos: a capacidade de ver e de sentir o belo. O belo que vem em gestos, em sorrisos, em partilha.


Aliás, ultimamente, há mais lamentos do que festejos. As pessoas se encontram muito mais para comentar sobre desassossegos e problemas do que para falar de alegrias e conquistas.


Por falar em conquistas, como está difícil desbravar essa seara onde reside o sucesso e a vitória. Acho que já nos habituamos a remar inutilmente contra a maré de tal forma que alcançar o cais nos parece um sonho impossível.


Em decorrência, se deixa de procurar o farol, pois não se acredita que exista uma luz no fim do túnel.
Vem em nosso socorro, essas sorridentes faces que são portadoras de bonanças, mensageiras da via láctea, estrelas disfarçadas de transeuntes.


Hoje, fui presenteada com vários sorrisos gratuitos, o que provocou em mim, esse texto para registrar o bem de que fui alvo.


O fato de me perceber permeável e aberta a tais toques generosos me dá alento para enfrentar as agruras dos noticiários inquietantes que me mantém atualizada com o dia a dia da humanidade, mas que, também, cerceiam a minha esperança "de tudo se ajeitar" (como na canção de Chico Buarque).


Pessoas de bem com a vida deveriam ser abundantes a perambular mais no cotidiano de todos nós, às claras, mesmo que as sombras das nuvens ocultem o sol e a lua. Gente assim tem um valor inestimável e uma missão extraordinária.


No entanto, cruzamos por elas sem vê-las, no mais das vezes, imersos no pequeno e limitado espaço que ocupamos. O espaço das nossas vãs preocupações.


Olhar sem ver nos impede de perceber os suaves gestos de delicadeza dos que nos cercam.

 

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