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A maior aventura da FuscAmérica

Fotógrafo Nauro Júnior lança campanha de financiamento coletivo para realizar o sonho de acompanhar a Copa do Mundo na Rússia

02 de Fevereiro de 2018 - 14h30 Corrigir A + A -
Segundinho, o Fusca 1968, já passou por sete países e, também, pela Antártida. (Foto: Carlos Queiroz)

Segundinho, o Fusca 1968, já passou por sete países e, também, pela Antártida. (Foto: Carlos Queiroz)

Material coletado em viagens é compartilhado em redes sociais e deve ser utilizado em livro e documentário . (Foto: Caio Passos)

Material coletado em viagens é compartilhado em redes sociais e deve ser utilizado em livro e documentário . (Foto: Caio Passos)

Nas andanças de Fusca, Nauro fez amizade com Mujica (D). (Foto: Gabi Mazza)

Nas andanças de Fusca, Nauro fez amizade com Mujica (D). (Foto: Gabi Mazza)

Pelas estradas da vida, um Fusca 1968 segue percorrendo distâncias e desbravando o mundo. A bordo do veículo está o fotógrafo Nauro Júnior, que idealiza rotas cada vez mais ambiciosas para o projeto Expedição FuscAmérica. Com o modelo clássico da Volkswagen, ele passou por toda extensão da maior praia do mundo, atravessou a fronteira para o Uruguai, subiu as cordilheiras chilenas, deu voltas pela Argentina, chegou até Machu Picchu, cruzou a Bolívia, conheceu o Paraguai e foi parar até mesmo no continente mais gelado do planeta. Tudo isso sem contar as andanças pelo território nacional.

Depois de percorrer sete países, a América do Sul ficou pequena para o fusca e seu dono. Agora, ambos partem rumo à realização de um antigo sonho. Nauro resgata uma passagem da infância, da época em que queria acompanhar a Copa do Mundo de 1978, na Argentina, e seu pai cortou a ideia sugerindo que uma viagem deste porte era utopia para o Fusca da família.

Quarenta anos depois, o aventureiro fez muito mais do que visitar uma pátria vizinha com o seu “cascudão”. Encontra-se, inclusive, disposto a colocar o companheiro de estrada para encarar seu mais audacioso desafio. Nos próximos meses, o fusca deve deixar o continente natal e circular pelo solo europeu, tendo como principal destino a Rússia, país que sedia a Copa do Mundo 2018.

O início do projeto
A paixão pelo Fusca vem de quando era criança. Aos nove anos de idade, Nauro residia em Novo Hamburgo e, segundo ele, não havia carros na vila em que morava. Até que um dia estacionou um Fusca na frente de casa. Ficou sabendo que quem tinha comprado o veículo era o seu pai. Logo, o título de “pai herói” foi potencializado. O veículo ofereceu uma maior liberdade para a família, que pôde realizar pequenas viagens.

O episódio marcou a vida de Nauro, que veio a resgatar essas memórias em 2010, quando adquiriu o seu próprio Fusca. “Mais do que ter um carro, eu tinha um que era a minha cara”, comenta. Com o apelido de Filó, em alusão ao destino diário (as aulas do curso de Filosofia na Universidade Federal de Pelotas), o carro transportou o novo proprietário e o amigo e também fotógrafo, Patrick Rodrigues, na primeira expedição.
O trio saiu de Pelotas rumo ao Chuí, seguindo pelo litoral da praia do Cassino até o Hermenegildo. Após esse trajeto inicial, Nauro pegou o gosto pela aventura e logo adquiriu um Fusca reserva, a fim de utilizá-lo enquanto o Filó passava por manutenções. O novo veículo foi chamado de Segundinho e acabou se tornando o oficial do projeto.

Desbravando culturas
Foram realizadas cinco grandes viagens pelo projeto Expedição FuscAmérica. O objetivo, segundo o responsável, vai muito além do turismo. Cada jornada é uma busca por histórias de vida, pelo contato com o outro, na busca por desvendar sentimentos que unem as pessoas. A simplicidade do automóvel, considerado por Nauro como um “nivelador social”, faz amigos por onde passa. Foi através desse vínculo que conseguiu uma entrevista com o ex-presidente do Uruguai, José Mujica, um grande admirador dos Fuscas.

Na opinião do responsável, as pessoas se identificam e até mesmo chegam a se sentir representadas pelo projeto, seja pelo espírito de aventura, pela relação com o icônico automóvel ou pela aparente facilidade com que se pode ser realizar sonhos. O Segundinho motiva as pessoas pelas quais cruza a viverem suas próprias expedições, costumeiramente repercutindo na reforma de automóveis e até mesmo no embarque a viagens rústicas.

Desta forma, a FuscAmérica resulta, através de fotografias e vídeos, na documentação de diversas realidades que tanto nos afastam quanto nos aproximam enquanto pessoas que convivem em sociedade, partilhando o mesmo espaço.

Expedição deixa a América
Aproveitando os sentimentos que desperta, o projeto lança uma campanha de financiamento coletivo para viabilizar a nova expedição. O plano é deixar o continente natal, cruzando o Atlântico e, por fim, circular por solo europeu, tendo como principal destino a Rússia.

O transporte será realizado pela empresa Wallenius Wilhelmsen Logistics, que patrocina a jornada. O Segundinho será entregue no fim de abril ao Porto de Rio Grande, de onde embarca para Hamburgo, na Alemanha. De lá, será conduzido pela própria empresa até Moscou, sendo entregue para Nauro e o companheiro de mais uma empreitada, Caio Passos.

Ao colocar as mãos no volante, o fotógrafo começa a rodar pelo vasto país entre os meses de junho e julho. Serão poucas cidades, uma vez que as distâncias entre elas demandam muita quilometragem. Além da capital, estão confirmadas apenas Sochi e Rostov, podendo visitar alguma outra dependendo da grade dos jogos da Seleção Brasileira.

Na Rússia, Nauro e Caio querem registrar o Labo B da Copa do Mundo, ou seja, histórias de quem também se aventurou para conseguir torcer por sua seleção no maior evento futebolístico do mundo. “Vamos levar um pouco da América do Sul para a Rússia e vamos trazer um pouco da Rússia com a gente”, acredita.

Após os jogos, o roteiro deve seguir por outros países como Polônia, Alemanha, França, Espanha e Portugal, culminando no embarque do Segundinho rumo ao Brasil.

Pegue carona
Parte da expedição será viabilizada através de crowdfunding pelo site Kickante. A meta é obter R$ 40 mil em dois meses de campanha. As cotas abrangem doação espontânea (R$ 10,00) e recompensas como adesivo (R$ 15,00), fotografia (R$ 40,00) e livros Laranjal em imagens e Pelotas em imagens (R$ 80,00 e R$ 100,00 cada um e R$ 160,00 pacote com os dois). O valor complementar à campanha está sendo levantado por meio de patrocinadores, rifas e contribuições direto em conta.

A Expedição FuscAmérica, que já recebeu uma exposição temática em 2014, deve ganhar em breve documentário e livro. Estão sendo viabilizadas tratativas para agilizar ambos os processos. Por enquanto, o foco é a Rússia e os registros são aventuras para um próximo capítulo!

 

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