Estilo
Crônica

O meu amor

02 de Fevereiro de 2018 - 09h11 Corrigir A + A -

Eduarda come bolo inglês encostada à entrada da padaria esperando que a chuva cesse para voltar ao trabalho. E eu, longe, tenho de me contentar a imaginar tão bonita cena na mente de alguém apaixonado.

A gente se conheceu no fim de 2013, um ano terrível em que passei pela dureza de todo jovem brasileiro que acaba de se formar. Da calçada do Bar do Zé todas as pessoas observavam um fogo no horizonte e deu o acaso de pararmos um na frente do outro. Eu, já com umas e outras na cabeça, soltei um oi para uma moça que adicionara no Facebook meses antes, mas as tretas da vida não haviam permitido que desse certo. A gente conversou, deu uns beijos e, na hora de ir embora, ela pegou na minha mão e, é difícil explicar a quem não mora na minha cabeça, aquele gesto me deu a confiança necessária para que eu seguisse em frente e a chamasse para a Sorvesucos no domingo.

Tal qual Monica Geller, eu não acredito em alma gêmea. Creio em duas pessoas que gostam muito uma da outra e dão duro para que dê certo - às vezes, muito duro. E com a gente foi assim. Dois perdidos, nos atrapalhamos no começo - teve vez em que até um encontro em sorveteria quase deu errado, ela esperando lá dentro, eu na frente. Mas perceber que ela estava junto comigo nessa lida diária, novamente, me deu a confiança necessária para que a gente decidisse ficar junto e foi realmente uma dureza quando, no fim de 2016, ela teve que ir.

Já tem mais de um ano que a gente vive nessa tristeza organizada - num fim de semana eu vou, no outro ela vem, no outro eu estou de plantão e ninguém pega a estrada e aí a gente invariavelmente briga - menos atualmente. Mas a cada episódio de This is us que vemos simultaneamente e comenta pelo Whatsapp, a cada “até amanhã” antes de se ver, a cada cheiro que dou na testa mais cheirosa do Brasil, tudo que é pesado se desmancha. No sábado, aniversário do meu amor, ao contrário do dia da chuva com bolo inglês, estaremos juntos. Escrevo sorrindo.

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