Estilo
Crônica

Dias de luz

27 de Janeiro de 2018 - 05h00 Corrigir A + A -

Lisiane Rota

Conto os anos pelos verões. É quando me sinto mais viva, mais plena, mais eu. É quando durmo melhor, como melhor, vivo melhor. Apesar da ansiedade dos primeiros dias do ano, quando tento desesperadamente estar em mais de um lugar ao mesmo tempo pra curtir amigos e familiares que vêm de longe, é no verão que eu encontro a minha paz. É quando faço o balanço do meu ano, recolho os cacos e renasço. Quando aparo as arestas e me reconcilio comigo mesma.

Os pés descalços, as roupas leves, os dias longos, as noites quentes, as frutas doces, a vida ao ar livre, o pôr do Sol, tudo me inspira a ser feliz. No verão eu me sinto em lua de mel com a vida. É quando eu vivo mais intensamente o presente, dou ao momento a atenção merecida, me deixo estar onde estou. É quando eu escancaro as janelas da casa, da mente e da alma e deixo a luz entrar. É quando sorvo do sol a energia que me sustenta o ano inteiro.

Talvez por isto, por estar sob efeito destes dias de luz, na minha lista de memoráveis há sempre um filme, uma música ou um livro que vi, ouvi ou li no verão. Ainda não elegi o filme, mas a música e o livro eu creio que já posso. Cadê, de Humberto Gessinger, encabeçaria a minha lista de melhores músicas lançadas, e A amiga genial, de Elena Ferrante, a de melhores livros.

A música poderá ser ouvida ao vivo pelos pelotenses, no aguardadíssimo show de Gessinger, dia 8 de abril, no Theatro Guarany. O livro, indicado por uma queridíssima amiga de infância que só traz coisas boas a minha vida, eu sugiro que você corra e compre agora. É o primeiro livro de uma tetralogia que se passa em Nápoles, pós-Segunda Guerra. A história de duas meninas, Lila e Elena, que crescem lado a lado e constroem as suas personalidades em meio aos conflitos e afetos que as unem e separam quase indistintamente.

A autora, que assina com o pseudônimo de Elena Ferrante, considerada uma das mais belas prosas contemporâneas, jamais mostrou o rosto ou deu pista de sua verdadeira identidade. Numa das raríssimas entrevistas que concedeu por e-mail diz que já fez tudo o que podia ter feito por seus livros escrevendo-os. Preciso dizer mais?

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