Estilo
Crônica

Doce Satolep

21 de Abril de 2017 - 06h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Laila Palazzo -  lailapalazzo@gmail.com

Neste último mês, pude respirar por mais tempo os doces ares de Pelotas e perceber a paz e a tranquilidade nas sutilezas dos detalhes. Um dia desses, caminhando do Café Aquários até em casa, sorri pelas ruas cativada pela ternura de desconhecidos que por mim cruzaram e mudaram meu dia com um bom-dia ou um conselho despretensioso de quem sabe cuidar dos outros.

Alegre se soma ao nome da cidade que me acolhe há três anos, mas essa característica se perdeu em meio ao barulho e ao caos das ruas e avenidas de um lugar que já não nos garante a fuga do baixo-astral, como cantam Kleiton e Kledir.

A alegria em muitos momentos sai de cena e dá lugar à preocupação e à ansiedade de quem vive na cidade grande e isso é perceptível não só na insegurança e na violência à mão armada, mas no caos que simboliza a doença que toma conta de muita gente que por aqui vive: o estresse.

Não é preciso estar parada em meio ao trânsito congestionado da avenida Ipiranga às seis da tarde para ouvir xingamentos e o barulho constante da buzina que soa sem cessar. Ainda ontem fui entrar num shopping utilizando o chip instalado no meu carro que abre automaticamente a cancela do estacionamento, mas o dispositivo não funcionou e bastou cinco segundos para começar a ouvir a buzina vinda do carro de trás.
Como de costume, desci do carro e fui até a janela falar com o senhor que dirigia seu Fox vermelho. Meu amigo, me desculpe, mas o meu chip não funcionou e precisei tirar menos de um minuto do seu passeio para resolver o meu problema. A cara feia foi a resposta que recebi.

Paciência e cordialidade nem sempre se encontram em abundância por aqui. Isso me magoa e me faz lembrar com carinho da minha querida Satolep, que, como todos os lugares, tem suas escassezes, mas faz qualquer um se sentir acolhido como numa casa de vó, pelas pequenas gentilezas que seu povo docemente oferece.

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